PUBLICIDADE
Topo

Jamil Chade

Entidades fazem protesto diante de embaixada do Brasil em Paris

Rosemay Jobrel/AutresBrésils
Imagem: Rosemay Jobrel/AutresBrésils
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/01/2021 05h49

Entidades internacionais e nacionais fizeram nesta terça-feira (19) um ato diante da embaixada do Brasil em Paris, denunciando violações de direitos humanos cometidos pelo governo de Jair Bolsonaro.

Lançando uma fumaça negra e com cartazes, o grupo de ativistas escolheu o local para lançar um informe no qual apresentam os desafios ambientais, sociais e econômicos no Brasil. O levantamento, que foi entregue à embaixada, foi realizado pela Coalition Solidarité Brésil, uma aliança de 18 entidades e que inclui Act Up Paris, Attac France, Autres Brésils, Emmaüs International, France Libertés e Secours Catholique - Caritas France.

O documento faz um inventário detalhado e atualizado da situação social, política e ambiental do Brasil. Foram analisados dados sobre 11 temas, entre ele o racismo e violência policial, violência contra a mulher, trabalho, segurança alimentar, justiça ambiental, educação.

"Este Barômetro ecoa os gritos de alerta dos movimentos sociais diante das violações dos direitos humanos e ambientais, que foram cometidas com total impunidade, mas é também o reflexo de uma sociedade civil brasileira que resiste, inventa e se mobiliza nos seus territórios", apontou a coalizão.

De acordo com as entidades, a pandemia "exacerbou as desigualdades e fragilidades de um sistema estruturalmente excludente" no Brasil.

"As conclusões do barômetro confirmam que a violência, as violações e as desigualdades só aumentam, tendo como alvo, em particular, as populações historicamente excluídas, ou seja, os povos indígenas e tradicionais, comunidades camponesas, mulheres, populações negras, grupos LGBTQI +, e habitantes das periferias", diz.

Entre os pontos destacados, o informe aponta que as invasões de territórios de comunidades camponesas, tradicionais, quilombolas e indígenas aumentaram 1.880% em 2020 em relação a 2019.

"O governo Bolsonaro segue uma política agrícola voltada para o agronegócio, que predispõe aos conflitos pela terra e prejudica a vida de quem a protege", indica.

Outro elemento é a questão ambiental. "De agosto de 2019 a julho de 2020, 11.088 km2 foram desmatados na Amazônia, o maior número desde 2008", revela. "O desmatamento, intimamente ligado à expansão da fronteira agrícola, é a manifestação por excelência da total despreocupação ambiental do governo", denunciam.

Os ataques contra a imprensa também são descritos com detalhes. "Entre janeiro e outubro de 2020, foi registrado um ataque por dia do Bolsonaro contra a imprensa", disse.

O barômetro de alerta sobre a situação dos direitos humanos no Brasil faz parte da campanha "O Brasil resiste. Lutar não é crime ", uma campanha para conscientizar e denunciar as ameaças e a violência que sofrem os defensores dos direitos humanos no Brasil.