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Surto ético de Bolsonaro durou apenas um dia

 Presidência da República/Alan Santos
Imagem: Presidência da República/Alan Santos
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

30/01/2020 00h35

Ao responder com a demissão o que chamou de "imoralidade" de Vicente Santini, o número dois da Casa Civil, Jair Bolsonaro exibiu uma insuspeitada compostura e um inesperado respeito ao contribuinte. Ou seja: estava completamente fora de si.

Ao autorizar a recontratação em outro posto do personagem que usou verba pública como se fosse dinheiro grátis ao voar com as asas da FAB, Bolsonaro caiu em si.

Um presidente que convive com um filho sob investigação, meia dúzia de ministros e auxiliares encrencados com a lei e um líder que é cliente de caderneta da Lava Jato enxerga a virtude como um trissílabo tão banal quanto balela.

Recomenda-se a quem esperava que Bolsonaro inaugurasse um ciclo de bons exemplos que puxe uma cadeira. Ou um ronco. Durou apenas um dia o surto ético do capitão. Tudo voltou rapidamente à mais perfeita anormalidade em Brasília

- Atualização feita às 10h15 desta quinta-feira (30/01): Em novo lance do vaivém, Bolsonaro anotou no Twitter que demitirá novamente o assessor cuja recontratação autorizara na véspera. De quebra, o presidente tomou um par de decisões para murchar a Casa Civil, pasta do já esvaziado ministro Onyx Lorenzoni.

Josias de Souza