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Na contramão de Bolsonaro, Moro prega isolamento

Foto: Dida Sampaio/Estadão
Imagem: Foto: Dida Sampaio/Estadão
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/04/2020 03h12

O ministro Sergio Moro (Justiça) ecoou o colega Henrique Mandetta (Saúde) na defesa da estratégia de isolamento adotada por governadores de vários estados para combater o coronavírus. Jair Bolsonaro, ao contrário, defende a reabertura do comércio e a volta dos brasileiros mais jovens ao trabalho.

"Nós estamos vivenciando uma experiência nova, o mundo inteiro, que é o desafio representado por essa pandemia", disse Moro em entrevista à Rádio Gaúcha, na quinta-feira (2). "A orientação técnica tem sido no sentido de que, para diminuir a expansão da doença, é necessário diminuir o contato social."

Moro prosseguiu: "Então, essas medidas de isolamento e quarentena, que inclusive estão previstas na lei do coronavírus aprovada em fevereiro, elas devem ser aplicadas, observando a própria dinâmica da doença."

O ministro reproduziu o principal argumento do colega da Saúde: "A orientação é justamente para tentar evitar esse aumento significativo do número de casos, num tempo muito curto, enquanto nosso sistema de saúde ainda está se preparando para atender a demanda provável de casos."

Nas palavras e Moro, "ninguém sabe exatamente como a doença vai se comportar no Brasil. A prudência recomenda seguir as orientações técnicas de manter o distanciamento social."

Em entrevista a outra emissora de rádio, a Jovem Pan, Bolsonaro ameaçou fazer o contrário: "Eu tenho um decreto pronto para assinar na minha frente, se eu quiser assinar, considerando ampliar as categorias que são indispensáveis para a economia."

"Eu, como chefe de Estado, tenho que decidir", acrescentou Bolsonaro. "Se chegar o momento, vou assinar a MP. Tem ameaça de todo lugar se eu assinar essa medida."

De fato, o Congresso e o Supremo cogitam derrubar eventual decreto baixado por Bolsonaro para suspender prematuramente o isolamento social.

Josias de Souza