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Bolsonaro arma três emboscadas para si mesmo

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

18/06/2020 05h28

Pior do que uma crise, só duas crises. Ou três. Jair Bolsonaro chega às portas do segundo semestre com o coronavírus à solta, com a economia travada e com o hálito quente da Justiça na nuca.

O presidente tornou-se a encarnação da instabilidade. Magnifica a crise sanitária, retarda a agenda anticrise econômica e fabrica uma crise política ao insinuar que STF e TSE tramam contra o seu mandato.

Num intervalo de poucas horas, Bolsonaro disse que "eles estão exagerando". E esboçou uma reação caricata: "É igual uma emboscada. Você tem de esperar o cara se aproximar. 'Vem mais, vem jogando ovo e pedra'..."

Na percepção de ministros do Supremo, alguns com assento também no TSE, Bolsonaro ensaia um teatro. Algo capaz de convencer a sociedade —ou pelo menos os seus devotos— de que é vítima de um complô para derrubá-lo.

Apenas Bolsonaro e seus operadores sabem onde está o buraco. Os investigadores observam o frenesi e supõem que o tamanho não é pequeno.

Os pesadelos do capitão são adornados por disparos de notícias falsas na rede, alvos do STF e do TSE. Os magistrados sustentam que Bolsonaro não tem com o que se preocupar, a menos que tenha feito algo errado.

Josias de Souza