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Avança a articulação para passar o Brasil a sujo

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

30/06/2020 11h57

Num instante em que os brasileiros fogem do coronavírus e enxergam na crise econômica uma evidência de que há males que vêm para pior, avança uma articulação política para restaurar o ambiente que fez da corrupção um fenômeno epidêmico no Brasil.

Durante os últimos seis anos, a Lava Jato tornou-se uma das logomarcas mais populares da história. Interrompeu um ciclo de impunidade que durava desde a chegada das caravelas. Gente poderosa tornou-se impotente. Empresários e políticos graúdos foram em cana. Encrencaram-se três ex-presidentes da República. Tudo isso está no retrovisor. Quem olha para o para-brisa vê um assanhamento dos cavaleiros da velha ordem.

Deve-se a ebulição ao fato de que a banda podre e Jair Bolsonaro passaram a se tratar como aliados. Eleito como paladino dos bons costumes, o capitão virou uma espécie de coveiro da Lava Jato. O presidente encontrou uma maneira inusitada para aniquilar o que restou do esforço anticorrupção. Colocou a Procuradoria da República para brigar consigo mesma. Bolsonaro inoculou no Ministério Público Federal o vírus da discórdia.

Com o luxuoso auxílio do Supremo Tribunal Federal, sumiram o medo da cadeia e o estímulo à delação. E a corrupção volta às manchetes de mansinho —o assalto em tempo real da verba dos respiradores de UTI, a entrega de cofres bilionários ao centrão e o diminutivo cínico da rachadinha são evidências de que o Brasil está sendo passado a sujo. Tudo de novo.

Josias de Souza