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GSI não examina currículo, diz Heleno. Então, tá!

Adriano Machado
Imagem: Adriano Machado
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/07/2020 05h16

Não é que a Agência Brasileira de Inteligência tenha falhado na checagem do currículo de Carlos Alberto Decotelli. A questão é que o órgão não se deu ao trabalho de verificar as credenciais acadêmicas do ex-quase-futuro ministro da Educação.

Superior hierárquico da agência, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, subiu no caixote das redes sociais para enviar uma mensagem aos "desinformados" que ousaram criticá-lo.

O general anotou: "O GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de ministros, cada um é responsável pelo seu currículo."

No caso de Decotelli, a irresponsabilidade de cada um submeteu o presidente da República ao vexame de bater bumbo nas redes para anunciar a escolha de um currículo de mostruário para o MEC. Deu no que está dando.

Agora se compreende por que Bolsonaro reclama tanto dos órgãos de inteligência do governo. O presidente trata a Abin como incompetente porque ainda não se deu conta de que a agência exerce sua competência errando segundo as regras. Que não incluem a averiguação de currículos.

Numa evidência de que a inteligência da Abin é top secret, informa-se no Planalto que Heleno foi um dos militares que avalizaram a escolha do professor Decotelli. O general soube pela imprensa que o currículo do professor era fake.

A despeito de tudo, Heleno endereça suas explicações sobre o caso Decotelli "aios desinformados". Então, !

Fica entendido que, além de não examinar currículos, o pessoal do GSI e da Abin não olha para o espelho. O autoexame também não é permitido.

Josias de Souza