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Josias de Souza

Datafolha revela que o embate de Lula e Bolsonaro voltou ao patamar de 2018

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

13/05/2021 00h54

É como se a conjuntura política entrasse num túnel do tempo, recuando até agosto de 2018. Naquela ocasião, Lula prevaleceria sobre Bolsonaro no segundo turno por 52% a 32%. Hoje, informa o Datafolha, o líder petista amealharia 55%, contra os mesmos 32% atribuídos a Bolsonaro. No primeiro turno, Lula prevalece hoje sobre Bolsonaro por 41% a 23%. Em 2018, o placar era de 39% a 22%.

Há três anos, depois que a Justiça Eleitoral tachou Lula de ficha-suja, o eleitorado escolheu um vencedor, não um presidente. Muita gente votou no capitão para impedir que o triunfo de Fernando Haddad, cuja foto substituiu a de Lula na urna eletrônica, devolvesse o poder ao PT. Prevaleceu a exclusão, não a preferência. Bolsonaro subiu a rampa do Planalto empurrado pelo sentimento antipetista.

Hoje, decorridos dois anos e quatro meses de um mandato em que o capitão se dedicou a governar para um terço dos brasileiros, o anti-bolsonarismo deu um salto. Mais da metade dos eleitores (54%) declaram que jamais votaria em Bolsonaro. Em agosto de 2018, esse índice era 15 pontos percentuais mais baixo: 39%.

Dono da segunda maior taxa de rejeição, Lula oscilou para baixo. Dois meses depois de ter sua ficha lavada pelo Supremo Tribunal Federal, o grão-mestre do PT é rejeitado por 36%, informa o Datafolha. Em agosto de 2018, 34% diziam que jamais votariam no então hóspede da pensão da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Uma das belezas da democracia é a capacidade da opinião pública de identificar empulhações. Pragmático, o povo não costuma ser leal senão aos seus próprios interesses. Foi graças a essa peculiaridade que Bolsonaro chegou à Presidência. Vitorioso, deveria ter levado à vitrine a generosidade da pacificação. Preferiu acentuar as diferenças.

Bolsonaro trocou o "nós contra eles" do petismo pelo "eles contra nós". A pandemia potencializou a fratura, deixando-a ainda mais exposta. Em vez de adiar as pretensões eleitorais para estabelecer uma coordenação nacional da crise sanitária, o presidente agarrou-se ao negacionismo e terceirizou todas as culpas a governadores e prefeitos.

O Datafolha indica que a conta começou a ser cobrada. O governo do capitão obteve uma taxa de aprovação, digamos, cloroquínica: apenas 24% dos brasileiros consideram a gestão Bolsonaro ótima ou boa. Em março, esse índice era de 30%. Registrou-se uma queda de seis pontos. É a pior marca do mandato do capitão.