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Josias de Souza

Efeitos adversos do bolsonarismo transformam Queiroga num ministro terminal

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

21/09/2021 08h31

O cardiologista Marcelo Queiroga tomou posse como quarto ministro da Saúde de Bolsonaro em 23 de março. Numa de suas primeiras declarações, anunciou: "Vamos deixar de gerar calor, vamos gerar luz." Decorridos seis meses, o substituto do general Eduardo Pazuello produz mais pus do que luz. Imaginou-se que Queiroga estivesse sofrendo surtos de pazuellização. Verifica-se que o caso é muito pior. O doutor foi infectado pelo vírus do bolsonarismo. Virou um ministro terminal.

Menos de uma semana depois de se autoconverter em estorvo na vida dos adolescentes que desejam se vacinar, Queiroga virou coadjuvante do vexame internacional estrelado por Bolsonaro. Come na calçada a pizza que o diabo amassou. O ministro desfilava por Nova York ao lado do único chefe de estado do G-20 a não tomar vacina contra a Covid quando alguma coisa subiu à sua cabeça. Submetido aos efeitos adversos do convívio com o capitão, Queiroga foi filmado brandindo para manifestantes anti-Bolsonaro o dedo do xingamento, o dedo médio, o simulacro de um pênis.

Horas antes, a Anvisa confirmava no Brasil que a morte de uma adolescente de 16 anos, em São Bernardo do Campo, citada por Queiroga como um das motivações para a suspensão da vacinação da rapaziada, não tem relação com a vacina. O ministro ficou numa situação quase tão vexatória quanto a de Bolsonaro, que no ano passado tratou como evidência de insucesso da CoronaVac a morte de um voluntário que havia cometido suicídio. Nada a ver com a vacina que estava sendo testada.

Queiroga mantém o veto à vacinação de adolescentes. Mas já não atribui o despautério aos 1.500 eventos adversos que dizia existir em meio a 3,5 milhões de jovens vacinados. O ministro agora menciona questões de "prioridade e logística". Alega que é preciso priorizar a vacinação dos maiores de 18 anos. Na prática. Queiroga admite a falta de vacinas que ele dizia estar sobrando no Brasil. O ministro é ignorado pela maioria dos estados, que mantém os adolescentes na fila da vacinação. Virou matéria-prima para a CPI. Se tivesse respeito pelo diploma de médico, pediria desculpas ao país.