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Josias de Souza

Arcebispo trata Bolsonaro como fake presidente

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

12/10/2021 15h32

Sob Bolsonaro, a exemplo do que ocorria na ditadura, alguns sacerdotes católicos levam comícios no bolso da batina. Neste Dia de Nossa Senhora, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, injetou política no sermão. Tratou Bolsonaro como uma espécie de fake presidente.

"...Para ser pátria amada não pode ser pátria armada", disse, por exemplo, Dom Orlando, antes de defender "uma república sem fake news", "sem corrupção", "sem ódio" e "com fraternidade".

O arcebispo utilizou contra o presidente material fornecido pelo próprio Bolsonaro. Aproveitou-se do fato de que o capitão opera num mundo com duas verdades: a dele e a verdadeira

O primeiro Bolsonaro cultua um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O outro é parecido com o primeiro, só que mente um pouco.

Sem mencionar-lhe o nome, Dom Orlando beliscou todos os calcanhares de vidro de Bolsonaro. Mencionou os 600 mil mortos por covid. A certa altura, enalteceu as vacinas e a ciência. Foi como se quisesse realçar que a retórica e a prática de Bolsonaro não ornam com as sagradas escrituras.

Horas depois da homilia de Dom Orlando, operou-se um pequeno milagre. Bolsonaro chegou à Basílica de Aparecida usando máscara. Ouviram-se vaias e aplausos.