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Josias de Souza

REPORTAGEM

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Ida de Toffoli ao encontro com Elon Musk surpreendeu até seus pares no STF

 Dias Toffoli comparece a encontro entre Bolsonaro e Elon Musk  -  O Antagonista
Dias Toffoli comparece a encontro entre Bolsonaro e Elon Musk Imagem: O Antagonista
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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/05/2022 02h48

A presença de Dias Toffoli no encontro de Bolsonaro, ministros e empresários brasileiros com o bilionário Elon Musk provocou surpresa e constrangimento em alguns de seus colegas de Supremo Tribunal Federal. Avaliou-se na Suprema Corte que o comportamento de Toffoli foi "impróprio" e "insensato". Uma "bola fora", num instante em que Bolsonaro escapa das "quatro linhas" para distribuir joelhadas no Supremo, no TSE e em magistrados que operam nas duas Cortes.

Alegou-se no gabinete de Toffoli que ele participou da concepção do Conecta Amazônia, programa que serviu de pretexto para a passagem relâmpago de Elon Musk pelo Brasil. O projeto surgiu de uma parceria do Ministério das Comunicações com o CNJ, Conselho Nacional de Justiça. Um dos propósitos da ampliação dos serviços digitais na Amazônia seria o de facilitar o acesso à Justiça naquela região. Toffoli presidiu o Supremo e o CNJ no biênio 2018-2020. Daí seu comparecimento à reunião com Musk.

A justificativa não caiu bem no Supremo. Entendeu-se que Toffoli confunde cargo com propriedade. Hoje, quem comanda a Corte e o CNJ é Luiz Fux. Confunde também descontração com promiscuidade, pois confraternizava com Bolsonaro e sua trupe apenas dois dias depois de ter rejeitado notícia-crime do presidente contra Alexandre de Moraes.

Na mesma sexta-feira, Bolsonaro declarou numa entrevista ao canal de YouTube do jornalista Cláudio Magnavita que Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes "infernizam" o Brasil. Disse que Moraes adota um comportamento de "líder de partido de esquerda".

"Temos três ministros que infernizam não só o presidente, mas o Brasil: Fachin, Barroso e Alexandre de Moraes", afirmou o presidente. "Esse último é o mais ativo e se comporta como o líder de partido de esquerda e de oposição. Esse inquérito das fake news... Primeiro, fake news não existe [sic]."

O inquérito que aborrece Bolsonaro foi aberto por Toffoli em 2019, quando presidia o Supremo. Agiu por conta própria, sem ouvir o Ministério Público Federal. Absteve-se de realizar o sorteio para a escolha do relator, indicando Alexandre de Moraes.