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Josias de Souza

Bolsonaro faz 'barbaridade' e dá 'cambalhota' por uma reeleição improvável

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/06/2022 04h50

Numa entrevista de 8 de abril de 2019, às vésperas de completar os primeiros 100 dias de governo, Bolsonaro declarou que "a reeleição causou uma desgraça no Brasil", porque "prefeitos, governadores e até o presidente se endividam, fazem barbaridades, dão cambalhotas" para permanecer no Poder. Nesta sexta-feira, começa a contagem regressiva de 100 dias para o encontro dos brasileiros com as urnas. Rejeitado por 55% do eleitorado e sob a ameaça de amargar uma derrota no primeiro turno para Lula, Bolsonaro faz "barbaridades" e dá "cambalhotas" dentro dos cofres públicos por uma reeleição que o Datafolha aponta como improvável.

A nova pesquisa apresenta um cenário de estabilidade em relação à sondagem feita no mês passado. Lula (47%) aparece 19 pontos à frente de Bolsonaro (28%). Se a eleição fosse hoje, Lula venceria no primeiro turno com 53% dos votos válidos. Embora esteja distante da reeleição, Bolsonaro exibe uma resistência notável, que lhe permite cultivar a perspectiva de levar a disputa para um segundo turno. É nisso que apostam o presidente e seus operadores ao transformar o Tesouro Nacional num puxadinho do comitê de campanha.

Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos, que respondem por 52% dos votos, Lula prevalece sobre Bolsonaro por 56% a 22% —diferença de 34 pontos. Esse pedaço majoritário do eleitorado, que define os rumos da eleição é o que mais sofre os efeitos da inflação. É para esse público que Bolsonaro exibe suas "barbaridades" e "cambalhotas". O Bolsa Caminhoneiro de R$ 400, engavetado há oito meses por falta de recursos, ressurge agora como um PIX de R$ 1.000. Reajustado para R$ 400 numa cambalhota do ano passado, o Auxílio Brasil é turbinado para R$ 600, como queria a oposição. O vale-gás mixuruca de R$ 53 dobra de valor.

As benesses de última hora são trançadas num pavimento superior ao teto de gastos à revelia da lei eleitoral, que proíbe a criação de gastos novos na antessala das eleições. Mas a responsabilidade fiscal e a legalidade tornam-se fatores irrelevantes na fase das "barbaridades" e das "cambalhotas". Se tudo correr como deseja o comitê da reeleição, Bolsonaro iria ao segundo round para ser surrado por Lula. Hoje, segundo o Datafolha, a surra seria 57% a 34%.

Num cenário em que Ciro Gomes rala na casa dos 8% e Simone Tebet murcha para 1%, apenas o Senhor Imponderável poderia bagunçar as previsões eleitorais de 2022. Em 2018, o Imponderável deu as caras duas vezes: quando Lula foi preso e quando Bolsonaro levou uma facada. Afora o imprevisto, restam as acrobacias. Quanto mais "cambalhotas", pior será a herança a ser deixada por Bolsonaro para 2023.