Lula envenena a imagem de Lula, e leva de roldão todo o governo
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Pesquisa Quaest revela que a imagem de Lula definha. Em agosto do ano passado, 60% dos brasileiros aprovavam o trabalho do presidente. Hoje, a aprovação de Lula soma 51%. Um tombo de nove pontos percentuais. O índice de desaprovação de Lula está em 45%. A aproximação das duas linhas ajuda a compreender porque o Brasil continua dividido.
Há mais: pela primeira vez desde julho de 2023, a avaliação positiva do governo Lula (32%), não aparece numericamente à frente. Está um ponto atrás do índice que atribui menção regular à terceira gestão de Lula (33%). A avaliação positiva do governo, em viés de baixa, está em 31%. Numa visão otimista, o governo anda de lado. Numa leitura pessimista, vai de mal a pior.
Não é só: nos últimos três meses, caiu de 51% para 38% a quantidade de brasileiros que avaliam que o governo Lula é melhor que o de Bolsonaro. Uma queda de notáveis 13 pontos percentuais em três meses. Subiu de 8% para 22% o índice dos que acham que os dois governos são iguais. Foi de 33% para 36% o contingente que considera o atual governo pior que o anterior.
Está entendido que alguma coisa funciona mal em Brasília. Seria injusto atribuir o mau desempenho à economia. O desemprego cai, a inflação está sob controle e a previsão de crescimento é revisada para cima. A reforma tributária encontra-se na fase de regulamentação legislativa. A agência de classificação de risco Moody's acaba de elevar a nota de crédito do Brasil. O país ficou a um passo do cobiçado grau de investimento.
A polarização persistente poderia explicar a trava na apreciação do governo. Mas não justifica a piora na comparação com a gestão Bolsonaro. O que puxa o governo para baixo é o tombo na avaliação do desempenho pessoal do presidente. Desde a posse, Lula governa de costas para a frente democrática que o ajudou a subir a rampa pela terceira vez.
Com o Brasil em chamas, dá lições de meio ambiente na ONU. Fala demais sobre Gaza e Ucrânia. Cala demais sobre Venezuela. Na era das redes sociais, chefia um governo analógico, com os olhos grudados no retrovisor. Numa palavra: Lula intoxica a imagem de Lula. E leva de roldão o governo. Não é a sombra do presidente que prometeu. Tampouco se tornou o cabo eleitoral que imaginou que seria.
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