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Leonardo Sakamoto


Com a benção de Lula, Haddad não será candidato a prefeito de São Paulo

Após ser solto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à direita) discursou, em São Bernardo do Campo (SP), ao lado de Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marcelo Freixo (PSOL) - Eduardo Knapp - 9.nov.2019/Folhapress
Após ser solto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à direita) discursou, em São Bernardo do Campo (SP), ao lado de Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marcelo Freixo (PSOL) Imagem: Eduardo Knapp - 9.nov.2019/Folhapress
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

28/12/2019 19h33

Não é novidade que Fernando Haddad não deseja disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem. Mas, ao contrário dos rumores, Lula não pediu e não pedirá a ele que se candidate, de acordo com fontes próximas ao ex-presidente.

Ambos concordariam que o fórum de atuação de Haddad deve ser na esfera nacional. "Há uma grande dificuldade em construir nomes nacionais. Na última eleição, ele se tornou um desses nomes. Por mais importante que seja a eleição em São Paulo, não faz sentido algum", afirmou uma fonte próxima ao ex-presidente.

"O risco não é apenas para Haddad. A derrota de um nome próximo, como o dele, também significaria uma derrota para Lula", disse outra.

Essa avaliação seria compartilhada por nomes fortes do partido na maioria dos outros estados.

O PT conta com outros integrantes que poderiam concorrer em São Paulo, como Alexandre Padilha, Eduardo Suplicy, Jilmar Tatto e Paulo Teixeira.

O ex-presidente segue vendo com bons olhos o retorno de Marta Suplicy para o Partido dos Trabalhadores ou para uma legenda aliada, mirando uma composição de chapa para as eleições municipais de 2020. A ex-prefeita conta com boa avaliação na periferia da capital paulista e aceitaria a tarefa, inclusive de ser vice com Haddad na cabeça de chapa. Mas esse movimento tem rejeição de alas do PT, que não a perdoam por causa do impeachment, e da própria ex-presidente Dilma Rousseff.

Lula inseriu o nome de Marta no debate sobre a sucessão de Bruno Covas pela primeira vez em entrevista que concedeu a mim e a Flávio Costa, pelo UOL, em outubro, quando estava preso na Polícia Federal, em Curitiba. Rasgou elogios à administração de Marta. Questionado se a convidaria a voltar ao PT, respondeu que não queria que ela tivesse saído e não gostou de perdê-la. Deixou as portas abertas para um retorno e afirmou que ela "continua sendo a prefeita mais bem avaliada de São Paulo".

De acordo com uma outra fonte, a pressão para que Haddad candidate-se em São Paulo estaria partindo de grupos que querem vê-lo fora do cenário nacional visando a 2022, o que poderia acontecer com uma derrota na campanha local do ano que vem.

Leonardo Sakamoto