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Militares deveriam abandonar Bolsonaro após revelações de Moro, diz Haddad

 Foto de 15/10/2019 da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional com a presença do presidente Jair Bolsonaro, e dos ministros Sérgio Moro, da Justiça, e Paulo Guedes, da Economia - GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto de 15/10/2019 da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional com a presença do presidente Jair Bolsonaro, e dos ministros Sérgio Moro, da Justiça, e Paulo Guedes, da Economia Imagem: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

24/04/2020 13h45

"O próprio ministro da Justiça afirmou que Bolsonaro cometeu crime de improbidade administrativa. O que é mais preciso? Bolsonaro tem que sair", afirmou à coluna Fernando Haddad (PT). "Quando o ministro da Justiça chama o presidente de improbo em público é porque ultrapassamos todos os limites."

O ex-ministro da Educação afirma que o gabinete do presidente deveria, com base nas revelações de Moro, renunciar. "Os ministros de seu governo deveriam renunciar a seus cargos e forçar a sua renúncia, especialmente os militares — que têm garantido suporte a ele. O impeachment é um processo longo, mas o país está em risco. Não temos esse tempo", diz.

"Ele se mete na Polícia Federal para defender os interesses da família, atrapalha o combate à pandemia do coronavírus para salvar seu governo, a economia está sem rumo. Está claro que perdeu as condições morais de governar o país", avalia.

"E isso acontece logo após ele cometer outro crime de responsabilidade, no domingo, quando participou de um ato contra o regime democrático."

Bolsonaro participou de um ato, na frente do Comando do Exército, em Brasília, pedindo o fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e um novo Ato Institucional número 5.

Fernando Haddad informou que seu partido vai se reunir à tarde para tratar das declarações de Moro e tirar uma posição. Há parlamentares da oposição defendendo o impeachment desde o pronunciamento desta manhã.

Durante a entrevista, Sergio Moro posicionou o presidente abaixo daquilo que os moristas mais odeiam (o PT), elogiando, mais de uma vez, a gestão de Dilma Rousseff e Luís Inácio Lula da Silva, que — segundo ele — não interferiram politicamente na Polícia Federal como o atual governo. O que possibilitou — em sua avaliação — o desenvolvimento do combate à corrupção.

"É uma ironia. Moro reconhece mais uma vez — ele já havia feito isso na própria sentença em que condenou Lula — que foi dada autonomia pelos governos petistas à Polícia Federal", afirma Haddad. "Essa autonomia é um atestado de que o presidente Lula nunca teve o que esconder, ao contrário de Bolsonaro."

O líder petista também afirmou que Sergio Moro havia usado a Polícia Federal para armar contra Lula e pavimentar a vitória de Bolsonaro. Mas que, depois, Bolsonaro "engoliu" Moro e a PF.

Leonardo Sakamoto