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Leonardo Sakamoto

Ato em SP vai distribuir 4 mil máscaras e inibir infiltrados, diz Boulos

31.mai.2020 - Ato a favor da democracia e contra o racismo aconteceu neste domingo na avenida Paulista, em São Paulo. O ato foi organizado por torcidas organizadas do Corinthians - Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo
31.mai.2020 - Ato a favor da democracia e contra o racismo aconteceu neste domingo na avenida Paulista, em São Paulo. O ato foi organizado por torcidas organizadas do Corinthians Imagem: Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

04/06/2020 11h43

Os organizadores da manifestação pela democracia, no próximo domingo (7), na avenida Paulista, em São Paulo, vão distribuir 4 mil máscaras produzidas por coletivos de costureiras da periferia da capital paulista para evitar o contágio pelo coronavírus. Uma brigada de saúde com mais de 100 voluntários foi organizada, segundo eles, para orientar o distanciamento mínimo entre os participantes e distribuir álcool gel e haverá uma equipe para inibir a ação de "infiltrados".

"Não vai ser fácil, mas estamos tomando todas as medidas sanitárias necessárias", afirmou à coluna Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Eles estão distribuindo recomendações para os presentes também usarem óculos de proteção e não tocar em nada.

Essa será a segunda manifestação com a participação de torcedores de times de futebol em São Paulo. A primeira, no último domingo, fez com que o presidente Jair Bolsonaro copiasse seu colega norte-americano, Donald Trump, e chamasse manifestantes que protestam contra o racismo, a violência policial e o fascismo de "terroristas".

De acordo com ele, as medidas se inspiraram nas orientações adotadas em manifestações antirrascistas que estão acontecendo nos Estados Unidos. O ato pela democracia e contra as ações do governo Jair Bolsonaro está sendo organizado por membros de torcidas de futebol, de movimentos negros e da Frente Povo Sem Medo.

O MTST havia criado um fundo solidário para ajudar trabalhadores sem-teto durante a pandemia. Parte dos recursos foi usado para apoiar coletivos de costureiras que já produziram 50 mil máscaras, distribuídas gratuitamente junto com cestas básicas e kits de higiene a famílias carentes.

"Estamos tomando todos os cuidados possíveis em relação ao protocolo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde. Vamos atuar para garantir distanciamento de 1,5 metro com equipes de apoiadores durante o ato, além de distribuir máscaras", afirmou Alex Minduín, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil.

"Também estamos orientando para que pessoas idosas e com doenças pré-existentes, como cardiopatia e câncer, não participem do ato."

Infiltrados na manifestação

Tanto ele quanto Guilherme Boulos afirmam que os organizadores vão contar com um grande número de equipes para inibir a ação de infiltrados que tentem provocar tumultos. O ato está programado para ser rápido, com menos de uma hora de duração. Depois, haverá uma caminhada e dispersão dos participantes.

A adoção das medidas tem o objetivo de rebater as críticas de que os atos possam servir de vetor para o coronavírus e servir de justificativa para o governo empregar ações autoritárias.

"A manifestação é autônoma de torcedores pertencentes ou não a torcidas organizadas", afirma. "Haverá ato no dia 7, mas também haverá ato no dia 14. Nossa ideia é estar demarcando nossas insatisfações todos os domingos às 14h no Masp", conclui o presidente da associação.

Errata: o texto foi atualizado
O próximo domingo será dia 7 de junho e não 14 de junho, como informado originalmente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL