PUBLICIDADE
Topo

Reabertura de bares em SP é mais decisão política do que de saúde pública

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB)  - ANDERSON LIRA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Imagem: ANDERSON LIRA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

03/07/2020 16h46

A autorização para a reabertura de bares, restaurantes, salões de beleza e barbearias na capital paulista, a partir da próxima segunda (6), é uma decisão que mediou posições políticas e econômicas com as sanitárias. Infectologistas, pneumologistas e pesquisadores que trabalham para o Estado e estão envolvidos diretamente no combate à covid avaliaram à coluna que, do ponto de vista da saúde pública, este ainda não seria o momento ideal para a retomada dessas atividades.

"Houve uma melhora nos indicadores da capital, sem dúvida. Mas a abertura vai começar neste momento por conta de uma confluência de fatores. Não é apenas uma análise da saúde pública", afirma uma das fontes, que pediu para não ser identificada. "Os governos estadual e municipal cederam à pressão. Entrou no cálculo a justificativa dos empregos e da sobrevivência de negócios", analisa outra.

"São Paulo está testando mais, o que, consequentemente, resulta em mais casos positivos. Mas seria importante que tivéssemos uma testagem em massa, com a publicização da quantidade de testes por caso ativo antes de reabrir", diz outro pesquisador. "As curvas deveriam estar decaindo para que isso acontecesse."

Bares e restaurantes, de início, poderão funcionar por seis horas diárias, com limite de 40% de sua capacidade e uso obrigatório de máscaras, fechando às 17h, horário de Brasília. A Prefeitura vai editar protocolos para a retomada. De acordo com dados da administração municipal, 55% dos leitos de UTI da rede pública estão ocupados.

Os governos estadual e municipal apostam que a capital não irá gerar cenas de aglomeração de pessoas, sem distanciamento, nem máscara, como as produzidas, na noite deste domingo (2), em uma rua de bares e restaurantes no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro.

Resta saber se combinou isso com parte dos frequentadores do Itaim Bibi e da Vila Madalena.

Caso contrário, a taxa de ocupação de leitos pode escalar rapidamente, como aconteceu em locais onde a pandemia parecia relativamente controlada, como o Estado do Mato Grosso. E a quarentena voltar a vigorar de forma dura.

Como disse um dos especialistas ouvidos, a partir de agora, entraremos na fase de "tentativa e erro".

Leonardo Sakamoto