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'Pela primeira vez, há uma confissão', diz Freixo sobre Caso Flávio-Queiroz

Flávio Bolsonaro (à esquerda) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz - Reprodução/Instagram
Flávio Bolsonaro (à esquerda) e seu ex-assessor Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução/Instagram
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

10/08/2020 18h31

"As investigações mostram provas de depósitos de Fabrício Queiroz para Michelle Bolsonaro em valores maiores do que se sabia. Ao mesmo tempo, o próprio Flávio Bolsonaro diz que pegou dinheiro com o pai para comprar imóveis usando dinheiro vivo - ou seja, pela primeira vez há uma confissão. Está se configurando um grande esquema de corrupção envolvendo a família."

A avaliação é do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "Bolsonaristas vendiam como tática de defesa a ideia de que o problema não é com o presidente, mas com seu filho. Mas todas as evidências apontam não apenas para um filho problemático, mas também para um pai problemático."

A quebra de sigilo bancário de Queiroz mostra que ele depositou R$ 72 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, entre 2011 e 2018, como revelou a revista Crusoé. Sua esposa, Márcia de Aguiar, colocou mais R$ 17 mil - informação obtida pela Folha de S.Paulo. No total, R$ 89 mil.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) era o operador do desvio de recursos públicos do gabinete do então deputado estadual. O Coaf havia apontado, em 2018, um depósito de R$ 24 mil de Queiroz para Michelle Bolsonaro. Jair prontamente disse que isso era parte da devolução de um empréstimo de R$ 40 mil que ele fez ao amigo de longa data.

Porém, nunca comprovou isso. E xingou os jornalistas que pediram comprovantes da transação.

A investigação do MP descobriu que Flávio usou R$ 86.779,43 em dinheiro vivo para comprar salas comerciais, informação confirmada pelas construtoras Cyrella e TG Brooksfield. Segundo seu depoimento aos promotores que apuram o caso das "rachadinhas", o senador pediu dinheiro emprestado para o pai e um dos irmãos - que não especificou quem - para tanto. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.

A defesa de Flávio afirmou que recebe com "perplexidade" as notícias de vazamentos sobre o processo.

Freixo afirmou que todos os que defendem um impeachment de Bolsonaro deveriam estar publicamente cobrando explicações sobre isso neste momento.

"Estamos conversando na oposição para que isso seja central. Pois mostra ao povo que Bolsonaro não representa algo novo, mas uma reedição das práticas mais antigas da política. Não são os veículos de comunicação, que os bolsonaristas gostam de acusar de fake news que estão trazendo os fatos à tona, mas o próprio Flávio e suas transações é que estão dizendo isso", afirma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL