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Leonardo Sakamoto

Bolsonaro não tem coragem de baixar preço de combustível, dizem petroleiros

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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

20/06/2022 13h17

"Bolsonaro tenta criar um bode expiatório na Petrobras para se eximir de uma responsabilidade que é sua. Mudou várias vezes o presidente, o conselho da empresa, ministros, só não teve coragem de mudar a política de preços dos combustíveis." A avaliação foi feita à coluna por Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única do Petroleiros (FUP), que representa 100 mil trabalhadores do setor.

"Com isso, ele age como um 'Robin Hood às avessas'. Tira dos pobres, com um botijão de gás a R$ 145, um litro de gasolina a R$ 8 e um diesel a R$ 7, para dar aos ricos daqui e de outros países ao ceder aos principais acionistas minoritários. Ou seja, grandes bancos e fundos internacionais", diz.

Com isso, ele faz eco a críticos ao governo Bolsonaro no Congresso, como o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), que defende investigar "para onde foram os dividendos bilionários auferidos no ano passado com a alta do preço internacional do petróleo e os valores escorchantes de combustíveis aplicados aos brasileiros".

Para o coordenador-geral da FUP, a pressão que levou ao pedido de demissão de José Mauro Ferreira Coelho da presidência da Petrobras, nesta segunda (20), é mais um ato de encenação para esconder que o governo escolheu não mexer nos seus próprios dividendos e nos desses acionistas.

"Bolsonaro já fez isso antes quando trocou Roberto Castello Branco, que ele mesmo indicou à presidência da empresa, pelo general Luna e Silva. Daí, trocou Luna e Silva por Ferreira Coelho. E agora, muda novamente. Mas nenhum deles sinalizou mudanças na política de preços dos combustíveis", afirma Bacelar. "Sob a mesma justificativa, ele tirou o almirante Bento Albuquerque do Ministério das Minas e Energia e colocou Adolfo Sachsida no lugar."

Para Bacelar, Bolsonaro quer que os brasileiros se esqueçam que foi ele quem indicou a maioria do Conselho de Administração - que, por sua vez, escolheu a direção da empresa que manteve a política. "Ele poderia ter trabalhado para mudar a política de preços ao longo de seu mandato. Se não fez é porque não quis. Agora, está desesperado diante da crise dos combustíveis e a proximidade das eleições. Há uma sinalização de desabastecimento de diesel e de preços mais altos no mercado internacional", avalia.

Contudo, ele acredita que a estratégia presidencial não deve funcionar. "Já culpou a guerra na Ucrânia pelas altas nos preços, mas os preços subiam antes disso. E já culpou os governadores e o ICMS. Mas, mesmo com a mudança na lei do imposto, os preços continuaram subindo."

'Foi a falta de coragem de Bolsonaro que nos colocou aonde estamos'

A FUP é crítica à manutenção da política de paridade internacional de preços do petróleo, adotada pela Petrobras desde o governo Michel Temer. Com ela, o reajuste do preço dos combustíveis varia com a alta do preço do barril de petróleo no exterior e com a alta do dólar.

Os que defendem a paridade lembram que o Brasil, apesar de ser grande produtor de petróleo, não tem capacidade de refino para a sua demanda, precisando importar combustível. Se a paridade cair, isso poderia levar a uma dificuldade de comprar os produtos de fora, gerando desabastecimento. Do outro lado, os críticos afirmam que isso está gerando lucros que estão acima do que é pago em outras companhias similares, beneficiando o governo federal e demais acionistas. Lucros que poderiam ser usados em fundos para amortizar aumentos ou evitar desabastecimento.

"Os petroleiros não são mais uma voz solitária contra a política de preços da Petrobras. Lideranças de outras categorias de trabalhadores, como caminhoneiros e entregadores e motoristas de aplicativos, também pedem mudanças. E isso incomoda o presidente", afirma. Bolsonaro avalia que os motoristas profissionais são uma das bases de seu eleitorado.

Sobre a defesa da privatização da empresa por parte do presidente da República e de seu aliado, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), Deyvid Bacelar diz que a categoria está preparada para enfrentar isso com "a maior greve de sua história".

"Bolsonaro coloca a culpa no PT pelos preços dos combustíveis, mas foi ele que não concluiu as refinarias em Pernambuco e no Rio de Janeiro, que reduziriam nossa dependência de diesel de fora, se estivessem prontas", avalia. "Foi sua falta de coragem que nos colocou aonde estamos."