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Marco Antonio Villa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Jair Bolsonaro é pior do que Adolf Hitler -o austríaco assumia seus crimes

O presidente Jair Bolsonaro coloca máscara durante evento no Planalto, nesta segunda (22) - Ueslei Marcelino/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro coloca máscara durante evento no Planalto, nesta segunda (22) Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters
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Marco Antonio Villa

Nasceu em 1955 na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Em Santo André passou parte da infância e da adolescência. Completou o Ensino Médio em São Paulo. Iniciou o curso de Economia mas acabou se formando em História na Universidade de São Paulo, onde também obteve os títulos de Mestre em Sociologia e Doutor em História. Foi durante trinta anos professor universitário. Atualmente possui um programa diário em seu canal YouTube que conta com mais de 105 MILHÕES de visualizações e mais de 622 MIL de seguidores. Suas entrevistas exclusivas no Canal YouTube Marco Antonio Villa - Blog do Villa chegam a alcançar quase 1 milhão de visualizações. É também comentarista do Jornal da Cultura e colunista da IstoÉ. Presente nas mídias sociais com mais de 2 milhões de seguidores além da presença em seu site www.cursosdovilla.com.br e o blog chamado "Blog do Villa". Com sua linguagem transversal, abrange não só o mundo acadêmico mas também um público heterogêneo e com interesse por história e política. Hoje é considerado um dos maiores conhecedores da História Política do nosso país com seus mais de 30 livros publicados, alguns dos quais tornaram- se best-sellers e referências bibliográficas para o estudo da História do Brasil nos séculos XIX,XX e XXI. Muitos de seus livros são citados em teses universitárias no Brasil, Europa e Estados Unidos. Autor de mais de 30 livros. Está prestes a lançar livro História Geral do Brasil.

Colunista do UOL

28/10/2021 09h32

O Brasil perdeu o respeito, virou um país perverso. Aceitou passivamente o genocídio como se fosse algo inevitável, como uma erupção vulcânica ou um tsunami. Assiste todo dia Jair Bolsonaro agir na Presidência da República como um marginal. Pode ser até que um chefe de uma organização criminosa tenha mais decoro e compromisso com o trabalho delinquente do que o ocupante do Palácio do Planalto.

Os mais de 600 mil mortos logo serão esquecidos. Todas as ações de Bolsonaro serão —como já foram— banalizadas, porque o Brasil perdeu o decoro. Nada mais é considerado indigno. Tudo é permitido. E aceito como se a barbárie tivesse se transformado no modus vivendi da política brasileira.

Eu não reconheço mais o Brasil. É como se fosse um pesadelo. A disposição para mudar uma situação catastrófica foi substituída pela aceitação bovina de que resta aguardar as eleições de outubro de 2022. E a apuração e punição dos crimes cometidos por Bolsonaro e sua quadrilha devem ser esquecidos ou relegados a meros equívocos na administração da pandemia.

O passado recente será logo transformado em uma herança incômoda. E vai ser esquecido. Afinal, o Brasil é um país desmemoriado. Para que exigir a responsabilização pelas mortes que poderiam ter sido evitadas? Logo a punição será considerada uma mera vingança, um comportamento prejudicial ao país.

Como se na Alemanha de 1945, após a derrota de Adolf Hitler, os nazistas fossem incorporados à nova situação política sob o argumento de que seria necessária a união nacional para reconstruir o país. E os crimes contra a paz, os crimes de guerra, os crimes de lesa humanidade? A punição seria entendida como revanchismo, vitimismo de alguns alemães, dos judeus e dos povos do leste da Europa. Melhor esquecer, olhar para a frente e não pelo retrovisor, como se fala costumeiramente por aqui.

Jair Bolsonaro é pior do que Adolf Hitler. O austríaco assumia seus crimes. Buscava alguma justificativa histórica, dentro do seu universo patológico. Não escamoteava sua ação genocida com tinturas religiosas. O capitão terrorista age de forma dissimulada. Tem medo das consequências. Sabe que a institucionalidade é sua inimiga. Quer destruí-la. Não o fez, ainda, graças à sua inépcia e seus sérios problemas cognitivos que impedem uma ação continuada contra o Estado de Democrático de Direito.

Bolsonaro caminha para a sua solução final. O país assiste, só assiste, como se fosse uma série da Netflix. A simples indignação, hoje, é um produto escasso no supermercado cívico. A hipocrisia —na novilíngua bolsonarista— virou sinal de compromisso com o país. Claro que "em nome de Jesus e com Deus no comando".

Parodiando o grande Aldir Blanc, o Brasil (de hoje) não merece o Brasil (de ontem); o Brasil (de hoje) está matando o Brasil (de ontem).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL