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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

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Neto de Roberto Marinho assumirá a presidência da Globo em 2022

Paulo Marinho assumirá a presidência da Globo - Divulgação / Globo / Sergio Zalis
Paulo Marinho assumirá a presidência da Globo Imagem: Divulgação / Globo / Sergio Zalis
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

14/10/2021 12h26Atualizada em 14/10/2021 14h28

O presidente executivo do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, anunciou numa live aos funcionários nesta quinta-feira (14) que vai deixar a função. Em 1º de fevereiro de 2022, o presidente do Conselho de Administração do Grupo, João Roberto Marinho, assumirá a presidência do Grupo Globo e Paulo Marinho, hoje diretor de Canais Globo, comandará a Globo. Nóbrega, que exercia as duas funções, foi o primeiro presidente a não ser da família Marinho.

Segundo o comunicado divulgado ainda durante a live, a substituição era planejada já há algum tempo. "Faz parte da jornada de profunda transformação digital da empresa, que foi iniciada por Nóbrega em setembro de 2018 e que estará a cargo de Paulo Marinho a partir do ano que vem".

Paulo Marinho, que vai fazer 45 anos no próximo dia 30, era diretor de Canais Globo (TV aberta, por assinatura e afiliadas) desde 2020. Antes, foi diretor dos canais infantis Gloob e Gloobinho e da unidade de negócios digitais da Globosat.

Na live, ele procurou sublinhar a ideia de que a mudança no comando da empresa não implica em alteração de estratégia: "Não é mudança das estratégias da empresa. É continuidade", disse. Neto de Roberto Marinho, o executivo se emocionou ao falar do apoio que está recebendo da família.

Em sua fala, Paulo Marinho deu destaque aos produtos digitais, informando que a receita nesta área cresceu três vezes desde 2018. O executivo pediu "eficiência" na criação do conteúdo e reconheceu que a empresa está passando por um "processo de transformação". "Se eu puder deixar um legado é o compromisso com a transformação digital", afirmou.

Jorge Nobrega e Paulo Marinho - Sergio Zalis/Globo - Sergio Zalis/Globo
Jorge Nóbrega, atual presidente executivo da Globo, e Paulo Marinho, que o substituirá a partir de fevereiro de 2022
Imagem: Sergio Zalis/Globo

Nóbrega também falou sobre este processo. Tentou dar um novo sentido a não renovação de contratos com vários profissionais de renome: "Nós nunca rompemos um contrato com um talento. Nós teremos várias formas de nos relacionar com os talentos brasileiros. É importante que os talentos saibam que nós somos a casa dos talentos brasileiros". E acrescentou: "A Globo é uma empresa de talentos e voltada para as pessoas".

O executivo citou a concorrente Netflix ao dizer: "Um minuto de novela é o alcance de 28 dias de série da Netflix. Não estou dizendo se é melhor ou pior. Mas o nosso alcance é maior".

Sobre o prejuízo registrado pela empresa no primeiro semestre, Nóbrega afirmou: "O que fizemos foi jogar para esse ano o custo da pandemia, de 2020. Em dezembro, vou voltar aqui, juntos eu e o Paulo, para confirmar isso".

No final de 2020, a Globo havia anunciado outra mudança importante em sua estrutura: a saída de Carlos Henrique Schroder (diretor-geral da emissora entre 2013 e 2019), em maio deste ano, e a criação do cargo de diretor de Canais Globo, assumido por Paulo Marinho. Ricardo Waddington assumiu o comando do entretenimento.

Veja abaixo o comunicado da empresa:

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Globo, João Roberto Marinho, anunciou hoje que, a partir de 01 de fevereiro de 2022, o Grupo Globo e a Globo terão novas lideranças. João Roberto Marinho assumirá a presidência do Grupo Globo e Paulo Marinho, hoje diretor de Canais da Globo, comandará a Globo (que tem a 'Globo Comunicação e Participações S.A' como razão social). Os dois substituirão Jorge Nóbrega, atual presidente executivo do Grupo Globo e da Globo. Durante os próximos três meses, Jorge Nóbrega e Paulo Marinho conduzirão juntos o processo de transição na Globo. A substituição, planejada já há algum tempo, faz parte da jornada de profunda transformação digital da empresa, que foi iniciada por Nóbrega em setembro de 2018 e que estará a cargo de Paulo Marinho a partir do ano que vem.

Jorge Nóbrega, de 67 anos, atua nas empresas do Grupo Globo desde 1996. Em 2017, assumiu a presidência do Grupo, sendo o primeiro presidente a não fazer parte da família Marinho. Com a sua saída, João Roberto Marinho passará a estar à frente do Conselho de Administração e também do Grupo Globo - hoje formado pela Globo, pela Editora Globo, pelo Sistema Globo de Rádio, pela Globo Ventures e pela Fundação Roberto Marinho. Nóbrega continuará a integrar o Conselho de Administração do Grupo Globo, que, presidido por João Roberto Marinho, é composto por Roberto Irineu Marinho e José Roberto Marinho, como vice-presidentes, e por Paulo Marinho, Roberto Marinho Neto e Alberto Pecegueiro, como conselheiros.

João Roberto Marinho seguirá também no comando do Conselho Editorial, responsável por discutir e propor orientação e alinhamento em questões editoriais, e do Comitê Institucional, que tem o papel de acompanhar e propor linhas de atuação para as relações institucionais do Grupo Globo.

Na Globo, a gestão de Jorge Nóbrega foi marcada pela revisão estratégica do negócio e pela adoção de um novo modelo operacional que, com o apelido de "UmaSóGlobo", unificou, sob a marca Globo, a TV Globo, a Globosat, a Globo.com, o Globoplay, a diretoria de Gestão Corporativa e a Som Livre - recentemente vendida para a Sony Music. Sob a sua direção, a Globo transformou-se numa empresa mediatech, com a qualidade de seus conteúdos fortemente apoiada pela tecnologia e voltada para o relacionamento direto com o consumidor. Tendo promovido também um amplo processo de mudança cultural, Nóbrega alinhou ainda mais as práticas da empresa à pauta ESG, investiu em dados, estreitou o relacionamento com o mercado e as marcas através de novas práticas e formatos comerciais multiplataforma e ampliou as parcerias estratégicas.

Natural sucessor de Jorge Nóbrega na presidência da Globo, Paulo Marinho é diretor de Canais da Globo desde 2020 e tem sido uma liderança importante na consolidação da estratégia D2C da empresa, que agora, sob a sua direção, ganhará novo impulso. O compromisso de continuidade e evolução estará refletido também na estrutura da empresa, que, com as oportunidades trazidas pelas movimentações, terá naturais ajustes, a serem detalhados até o fim do ano. Carioca, Paulo Marinho é formado em Administração, tem 44 anos e uma longa trajetória nos negócios do Grupo. Desde 1998, vem atuando nas diferentes empresas, tendo sido coordenador de Conteúdo e Marketing no Sistema Globo de Rádio, diretor dos canais infantis Gloob e Gloobinho, da VIU Hub, diretor-geral de Canais e Conteúdo da então Globosat e, desde 2020, é o responsável pelos canais de TV aberta e por assinatura e também pela rede de afiliadas da Globo.

Em fevereiro de 2022, Paulo receberá de Nóbrega o comando de uma Globo que hoje reúne a TV Globo, seu canal de TV aberta; 26 canais de TV por assinatura; o Globoplay, maior plataforma brasileira de streaming; e serviços e produtos digitais, como o G1 no jornalismo, o GE.globo no esporte e o Gshow no entretenimento, entre outros. Seu jornalismo líder de audiência produz mais de três mil horas de notícias todos os anos e dos seus estúdios, que integram o maior e mais moderno complexo de produção de conteúdo da América Latina, saem outras três mil horas anuais de entretenimento. No esporte, é uma das maiores detentoras de direitos de transmissão do mundo.

Dona de uma das maiores bases de dados sobre o consumidor brasileiro, com mais de 110 milhões de Globo IDs e mais de 10 bilhões de registros diários do que fazem em suas propriedades, a Globo tem aliado esse conhecimento sobre os hábitos de consumo dos brasileiros à relevância de seus conteúdos e às suas novas capacidades em tecnologia para explorar oportunidades estratégicas que vão além do ambiente de mídia e entretenimento.