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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que interessa mais, um jogo decisivo ou um capitulo normal de novela?

O atacante Hulk, um dos destaques do Atlético-MG, que pode ser campeão brasileiro hoje, se vencer o Bahia - Fernando Moreno/AGIF
O atacante Hulk, um dos destaques do Atlético-MG, que pode ser campeão brasileiro hoje, se vencer o Bahia Imagem: Fernando Moreno/AGIF
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

02/12/2021 14h05

A decisão da Globo de exibir apenas em Minas Gerais e Bahia a partida entre Atlético (MG) e Bahia nesta quinta-feira (02), às 18h, provocou surpresa e protestos de alguns espectadores. Afinal, trata-se de um jogo que, dependendo do resultado, pode definir o novo campeão brasileiro. Por que não exibir a partida para todo o país?

Não é a primeira vez que a Globo toma uma decisão deste tipo, atendendo a interesses regionais. O cálculo, do ponto de vista de audiência, publicidade e imagem, é que compensará frustrar o fã da novela "Nos Tempos do Imperador" para mostrar, a mineiros e baianos, uma partida com potencial de definir os rumos do Brasileiro.

Cálculo baseado em critérios semelhantes orienta a decisão de não exibir o jogo em outros centros. Ou seja, vale mais a pena seguir com a programação normal nos demais Estados do país. O raciocínio é que a emissora não está privando outros espectadores já que a partida também será oferecida para assinantes do Premiere.

Ainda a justificar esta decisão, a Globo tem demonstrado que entende a cobertura esportiva como complementar em todos os seus canais e plataformas, da TV aberta à paga (SporTV e Premiere) passando pelo digital e redes sociais. Não se pode ignorar, claro, que esta lógica não está ao alcance de parcela importante do público, que ainda consome prioritariamente via canal aberto (e gratuito).

Mas, para além do desejo de agradar o espectador, ter boa audiência e faturar, a Globo deveria pensar também no seu desejo de ser reconhecida como uma emissora que trata o futebol como prioridade. Após perder algumas competições e num momento em que a oferta de transmissões esportivas nunca foi tão diversificada, seria bom não deixar dúvidas de que os torneios cujos direitos são seus merecem tratamento de gala.

É notório hoje que a Globo deseja reconquistar os direitos da Libertadores, perdidos para o SBT. A boa cobertura jornalística que a emissora deu à final entre Palmeiras e Flamengo, mesmo sem poder exibir a partida, sinalizou este interesse. Também foi uma forma de iniciar a cobertura do Mundial de Clubes, cujos direitos em TV aberta são seus. Em todo caso, a Globo passou uma boa impressão ao não minimizar, como já fez em outras ocasiões, competições esportivas sobre as quais não tinha direitos.

Um caso interessante ocorreu este ano na F-1. Após décadas nas mãos da Globo, os direitos de transmissão foram adquiridos pela Band. Nos últimos anos, a emissora carioca havia deixado muitas vezes de exibir treinos classificatórios, parou de mostrar a premiação no pódio e, até, não apresentou ao vivo algumas corridas, optando por VTs noturnos. E a emissora paulista entendeu que precisava atender a fãs que estavam frustrados, fazendo uma cobertura de gala da competição.

Em resumo, entendo as razões que levaram a Globo a exibir Bahia e Atlético apenas para Minas e Bahia (com equipes de narradores e comentaristas diferentes em cada praça). Mas acho que a emissora não levou em conta, na sua decisão, uma questão de alcance maior e menos imediata.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL