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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Na Folha: Documentário mostra Flavio Migliaccio, o brasileiro em cena

Flávio Migliaccio em "Órfãos da Terra" (2019), a última novela em que atuou - Flávio Migliaccio (Foto: Divulgação)
Flávio Migliaccio em "Órfãos da Terra" (2019), a última novela em que atuou Imagem: Flávio Migliaccio (Foto: Divulgação)
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/12/2021 07h01

Flavio Migliaccio (1934-2020) atua em uma cena clássica de "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha. Em um comício alegórico, ele fala depois dos discursos do sindicalista Jerônimo (José Marinho) e do jornalista Paulo Martins (Jardel Filho). Diz: "Com a licença dos doutores, o seu Jerônimo faz a política da gente, mas o seu Jerônimo não é o povo. O povo sou eu, que tenho sete filhos e não tenho onde morar". Esta cena possivelmente inspirou a escolha do título do documentário "Migliaccio, o Brasileiro em Cena", mas a ligação umbilical do ator com a história recente do país vai muito além. Ele atuou no Teatro de Arena na década de 1950, no Cinema Novo nos anos 1960 e na Globo nas décadas seguintes, onde participou de mais de 30 novelas, programas de humor, séries, infantis e especiais.
(...)
No bilhete de despedida, encontrado no seu sítio, em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, onde morreu, Migliaccio escreveu: "Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este". Impressão errada, muito errada, como o documentário trata de mostrar. As palavras no bilhete refletem o estado de depressão profunda em que se encontrava. Poucos anos antes, Migliaccio já sinalizava, mas com humor, esse desfecho: "Uma pessoa com 80 anos, sem medo de morrer e não acreditando em Deus, tem que ter muita coragem, eu acho. Não é isso? E eu tenho essa coragem".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL