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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cancelamento abrupto do "Bom Dia & Cia" no SBT marca o fim de uma era

A apresentadora Silvia Abravanel se despediu do "Bom Dia & Cia" na última sexta-feira (01) - (Reprodução: SBT)
A apresentadora Silvia Abravanel se despediu do "Bom Dia & Cia" na última sexta-feira (01) Imagem: (Reprodução: SBT)
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

07/04/2022 07h01

Esta é parte da versão online da edição desta quarta-feira (02/03) da newsletter de Mauricio Stycer. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

A semana que passou foi marcada pela notícia do fim do "Bom Dia & Cia", programa dedicado ao público infantil que o SBT mantinha em sua grade havia 28 anos. Como quase tudo que ocorre na emissora comandada por Silvio Santos, a coisa foi repentina. A decisão foi comunicado na quinta-feira (31) e já no dia seguinte a apresentadora Silvia Abravanel se despediu do público.

O cancelamento abrupto do "Bom Dia & Cia" significa o fim de uma era. O SBT foi a última emissora comercial da TV aberta a manter programação infantil com destaque. A Globo encerrou a versão diária do "TV Globinho" em junho de 2012, permanecendo ainda até 2015 de forma semanal na grade.

A TV Cultura, mantida com recursos públicos, do Estado de São Paulo, ainda exibe um segmento importante de programação infantil em sua grade. Mas já não investe no gênero, como no passado. O canal tem uma tradição relevante neste campo. Duas criações suas, os programas "Castelo Rá-Tim-Bum" e "Cocoricó", estão entre as melhores coisas já feitas para crianças na TV.

A programação infantil tem migrado, já faz tempo, para a TV por assinatura e, mais recentemente, para as plataformas de streaming. A renovação do contrato da "Galinha Pintadinha" com a Netflix é um bom exemplo. Uma das razões deste movimento são as restrições à publicidade infantil na TV aberta. A regra é clara neste campo: sem publicidade, não há investimentos em programação. Na TV paga, a legislação é mais flexível.

Nos últimos dois anos, a Cultura negociou os direitos dos quase 300 episódios de "Cocoricó" para as plataformas de streaming da Amazon e da Disney. Até aí tudo bem. O que causou incômodo a muitos espectadores foi o fato de o canal ter retirado os episódios do programa de seu canal online e do YouTube.

Uma vez que a série foi realizada com recursos públicos, seria natural que continuasse à disposição de todos os espectadores. Por isso questionei a TV Cultura a respeito. O canal nega haver qualquer relação entre o licenciamento com Amazon e Disney e a retirada do programa dos canais online da própria emissora e do YouTube. Mas não explicou o motivo.

Outro problema em relação à programação infantil é que parte dos programas exibidos, tanto na TV aberta quanto na paga, foram realizados com o apoio de leis de incentivo. Mas o esvaziamento das agências de fomento, que ocorre no governo Bolsonaro, também afeta este tipo de produção.

Como apontou a jornalista Cristina Padiglione, parte dos títulos produzidos sob leis de incentivo criadas para o audiovisual permite que canais como TV Cultura e TV Brasil abasteçam também as suas grades de programação com produções que já estavam pagas pelos recursos criados para fomentar a cena nacional na TV por assinatura.

O quadro, enfim, é complexo e não muito animador para quem busca programas infantis brasileiros na televisão.

P.S. Como outras decisões intempestivas de Silvio Santos, o fim do "Bom Dia & Cia" e o aumento do espaço do telejornal "Primeiro Impacto" derrubaram a audiência do SBT nos primeiros dias desta semana.

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O veterano Lucas Mendes, de 77 anos, ancorou de Lviv, na Ucrânia, a estreia do "Manhattan Connection" no canal MyNews. "Meus amigos me perguntam se não estou muito velho para este tipo de cobertura. Eu estou velho para tudo. Estou velho para jogar tênis e jogo quatro vezes por semana. Estou velho para álcool e tomo vinho todos os dias. Sexo? Esse é virtual, tenho ótimas lembranças. Mas eu não me sinto velho. Vim porque eu pedi e MyNews topou".

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A frase

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Fui envolvida por uma onda forte, boa e carinhosa desde domingo. Eu agradeço a todas as pessoas que se manifestaram aqui e por outros caminhos. As mensagens me fortalecem e me ajudam a ter esperança no Brasil e no futuro da democracia, que nos custou tão caro.
Jornalista Miriam Leitão, no Twitter, após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) debochar da tortura que ela sofreu durante a ditadura militar

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