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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Record e IURD defendem Bolsonaro até em programa de relacionamento amoroso

Renato e Cristiane Cardoso, apresentadores do "The Love School", culpam o "fica em casa" pela crise econômica  - Reprodução
Renato e Cristiane Cardoso, apresentadores do "The Love School", culpam o "fica em casa" pela crise econômica Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

05/04/2022 07h01

Sem disfarçar o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, a Record TV e a Igreja Universal conseguiram, no final de semana, defender um ponto de vista governamental no programa "The Love School - Escola do Amor", dedicado a relacionamentos amorosos.

Sob o comando de Cristiane Cardoso e Renato Cardoso, o mais recente episódio do programa procurou ensinar como evitar que a crise econômica afete a vida do casal e atrapalhe o relacionamento. A dupla procurou isentar o governo pela situação e culpou o confinamento durante a pandemia de coronavírus ("o fica em casa") pelo problema.

"The Love School" é produzido pela Igreja Universal e exibido pela Record desde 2011. Antes da lição do casal de apresentadores, o programa exibiu uma reportagem que deu uma ideia do tamanho da crise:

"O Brasil vive hoje uma grande crise econômica. Estamos em um momento em que o desemprego e a inflação tem corroído o orçamento da maioria das famílias. Uma pesquisa revelou que 75% das famílias brasileiras estavam endividadas. Principal motivo apontado: o desemprego, que hoje atinge a taxa de 11,6%." A reportagem concluiu citando dados de outra pesquisa: "74% dos entrevistados cortaram gastos e 80% consideram o momento atual uma das piores crises econômicas que o Brasil já enfrentou".

O bispo Renato Cardoso não gostou do que ouviu: "Eu acho que o Brasil já enfrentou crises econômicas muito piores a que estamos vivendo agora. Quem conhece um pouco da história, sabe", disse. E deu início então a um discurso que lembra muito a posição que Bolsonaro tem defendido sobre o enfrentamento da pandemia do coronavírus: "Vamos colocar os pingos nos is. Qual é o verdadeiro culpado? Eis aqui o verdadeiro culpado: o fica em casa", disse o genro de Edir Macedo.

"Nós cansamos de falar durante a pandemia que isso aqui não iria funcionar. E iria trazer uma pandemia econômica, não só no Brasil. E o que está acontecendo aqui não é particularidade do Brasil, é particularidade do mundo, Estados Unidos, Europa. Curiosamente, a China não está sofrendo com isso, mas isso é outra história", disse.

Ironizando quem defendeu o confinamento, Cardoso acrescentou: "A consequência do fica em casa, hashtag fica em casa: os bonitos que ficavam falando 'fica em casa', 'fica em casa', agora ficam falando da crise. Por quê? Quase dois anos de restrições. Ora, o que se esperava que ia acontecer?", perguntou.

Por fim, Cardoso deu a senha sobre como lidar com o assunto, dizendo que a crise econômica não é culpa de ninguém: "É importante entender isso para não ficar apontando os dedos para ninguém. Apontar o dedo para a sua mulher, para o seu marido, ficar culpando. A culpa não é minha, não é do outro. É da situação que o mundo está passando agora. Em vez de ficar apontando o dedo para uma coisa que não pode mais ser mudada, a pergunta é: o que a gente pode fazer agora para lidar com essas dificuldades?"