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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Espectadores da Fox News são pagos para assistir CNN e mudam de opinião

24.08.2020 - EUA: Manifestantes protestam após policiais atirarem diversas vezes em Jacob Blake pelas costas, enquanto ele entrava em seu carro, com crianças acompanhando a cena - Kerem Yucel/AFP
24.08.2020 - EUA: Manifestantes protestam após policiais atirarem diversas vezes em Jacob Blake pelas costas, enquanto ele entrava em seu carro, com crianças acompanhando a cena Imagem: Kerem Yucel/AFP
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

12/04/2022 07h01

Uma experiência ousada e surpreendente, proposta por dois cientistas políticos americanos, comprovou a influência de um canal de notícias de direita sobre os espectadores.

David Broockman, da Universidade da Califórnia, e Joshua Kalla, da Universidade de Yale, pagaram a 304 espectadores habituais da Fox News US$ 15 (cerca de R$ 70) por hora para assistir a até sete horas de CNN por semana durante o mês de setembro de 2020. Eles foram monitorados para assegurar que estavam de fato assistindo à CNN no período. Ao mesmo tempo, um outro grupo de espectadores da Fox News continuou com sua "dieta normal" de mídia.

O resultado mostrou que os espectadores da Fox News sujeitos ao noticiário da CNN adotaram pontos de vista menos extremos e mais moderados em relação a temas como ação policial, discriminação racial e um eventual governo Biden.

Outras pesquisas já haviam mostrado que a desinformação sobre covid nos EUA é maior entre quem vê canais conservadores e que os espectadores da Fox News tendem a acreditar mais do que a média dos americanos que a eleição presidencial de 2020 foi roubada, o que não é verdade.

Durante o período da pesquisa, em setembro de 2020, houve intenso noticiário sobre os protestos contra a polícia após Jacob Blake, um homem negro, ter sido baleado e gravemente ferido por policiais no final de agosto. Durante os protestos, um adolescente, Kyle Rittenhouse, atirou e matou dois homens e feriu outro.

No final de setembro, os espectadores que receberam para assistir o noticiário da CNN se mostraram menos propensos que os espectadores da Fox News a concordar com ideias como: "É uma reação exagerada sair e protestar em resposta ao tiroteio policial que feriu Jacob Blake". Ou: "Se Joe Biden for eleito presidente, veremos muitos policiais serem baleados por ativistas do Black Lives Matter". Os espectadores da CNN também acreditaram menos que os da Fox News que "os apoiadores de Joe Biden ficam felizes quando policiais são baleados".

Em uma entrevista ao The Guardian, o cientista político Joshua Kalla disse que ele e Broockman não esperavam necessariamente que as opiniões das pessoas mudassem. "Acho que a descoberta mais surpreendente é que mudar as dietas de mídia das pessoas da Fox News para a CNN por um mês teve algum efeito", disse. "As pessoas que assistem ao noticiário da TV a cabo tendem a ser muito engajadas politicamente e têm opiniões fortes sobre política, limitando o impacto da mídia".

As pessoas que participaram da experiência, disse Kalla, eram "republicanos muito pró-Trump", habituadas a ouvir o então presidente a atacar pesadamente a CNN. "Muitas pessoas podem esperar que esse público resista completamente ao que a CNN tinha a dizer, mas vemos pessoas assimilando o que a CNN estava relatando e mudando suas atitudes também. Portanto, é surpreendente que assistir à CNN tenha tido algum impacto neste experimento", disse Kalla.