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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Desinformação sobre covid nos EUA cresce entre quem vê canais conservadores

Manifestantes anti-vacina tentam invadir o Barclays Center durante jogo da NBA - Twitter/@justericthomas/via Reuters
Manifestantes anti-vacina tentam invadir o Barclays Center durante jogo da NBA Imagem: Twitter/@justericthomas/via Reuters
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

09/11/2021 13h06Atualizada em 09/11/2021 20h54

Mais de três quartos (78%) dos adultos nos Estados Unidos acreditam ou não têm certeza sobre pelo menos uma entre oito afirmações falsas sobre a pandemia de covid-19 e a eficácia das vacinas contra a doença. A pesquisa mostra que a desinformação varia de acordo com as fontes de informação dos entrevistados. A falta de conhecimento é maior entre os não vacinados e os republicanos.

A pesquisa foi divulgada pela KFF (Kaiser Family Foundation), uma organização sem fins lucrativos e apartidária com foco em questões nacionais de saúde e sobre o papel dos EUA na política de saúde global.

Alguns resultados do levantamento:

A maioria (60%) dos entrevistados afirma ter ouvido que o governo está exagerando o número de mortes de covid incluindo na conta as mortes ocorridas devido a outros fatores: 38% acreditam que isso é verdade e 22% não têm certeza se é verdadeiro ou falso.

Quatro em cada dez entrevistados (39%) dizem que ouviram que mulheres grávidas não deveriam tomar a vacina: 17% acreditam que seja verdade e 22% não têm certeza.

Três em cada dez (31%) dizem que ouviram que a vacina demonstrou causar infertilidade: 8% acreditam nisso e 23% não têm certeza se é verdade (23%).

Outras afirmações falsas consideradas verdadeiras ou que geram dúvidas em parte dos entrevistados: "mortes devido às vacinas estão sendo escondidas pelo governo"; "ivermectina é um tratamento seguro e eficaz contra a covid"; "as vacinas contra a covid contém um microchip"; "você pode pegar covid da vacina"; "as vacinas contra a covid pode mudar o seu DNA".

O estudo mostra que há uma relação entre a confianças dos entrevistados em suas fontes de notícias e a crença na desinformação sobre covid-19. A pesquisa estabeleceu dois conjuntos de fontes, um mais tradicional e supostamente apartidário e outro abertamente conservador.

Dos que confiam nas informações da CNN, MSNBC, redes de TV nacionais, NPR (rádio pública) e noticiários da televisão locais, entre 11% e 16% acreditam ou não têm certeza sobre pelo menos quatro das oito declarações falsas.

O quadro muda entre os entrevistados que confiam em informações sobre a covid transmitidas por Fox News, One America News e Newsmax. Neste universo, vai de 36% a 46% o percentual de entrevistados que dizem acreditar ou não ter certeza sobre pelo menos metade das oito declarações falsas.

O relatório da KFF afirma não ser capaz de dizer se isso ocorre porque as pessoas estão expostas à desinformação promovida pelas fontes de notícias, ou se as pessoas que escolhem essas fontes de notícias estão predispostas a acreditar em certos tipos de desinformação por outros motivos.