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GOLPISMO 3: Com um pouco de vergonha na cara, Moro pede LSN contra brucutus

O senso moral começa a se desenvolver bem cedo. Mas há quem quem caminhe vida afora sem jamais conhecê-lo  - reprodução
O senso moral começa a se desenvolver bem cedo. Mas há quem quem caminhe vida afora sem jamais conhecê-lo Imagem: reprodução
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

25/02/2020 09h56

O ministro da Justiça, Sergio Moro, sabia que a Polícia Federal havia aberto um inquérito contra o ex-presidente Lula, acusando-o de caluniar e difamar o presidente Jair Bolsonaro. O procedimento estava ancorado no Artigo 26 da Lei de Segurança Nacional, o que é uma aberração. Mas ele deixou a coisa rolar. Tentou, depois, tirar a sua responsabilidade da reta. Como de hábito. Para lembrar, destaque-se: é possível acusar alguém de calúnia e difamação com base na LSN, sim, desde que o crime imputado exponha a perigo ou lesão:
I - a integridade territorial e a soberania nacional;
Il - o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito;
Ill - a pessoa dos chefes dos Poderes da União.

Muito bem! Se resta ao ministro um pouco de vergonha na cara, tem agora de solicitar à Polícia Federal que abra um inquérito por crimes contra os respectivos presidentes da Câmara e do Senado — Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre — com base no Artigo 26 da Lei de Segurança Nacional, aquele mesmo a que recorreu, de modo impróprio, a PF para investigar Lula.

E, desta feita, o apelo a tal lei é, sim, cabível.

Afinal, quando menos, a difamação está dada. E se justifica plenamente a LSN: afinal, os que organizam os protestos e pedem que os militares fechem o Congresso expõem a perigo ou lesão "o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito".

Note-se que, entre as peças que circulam nas redes sociais bolsonaristas, há também ataques aos governadores de Estado. "Ah, mas a democracia não é democrática o bastante a ponto de aceitar que se possa pôr em risco o próprio regime democrático?" Não! Mas fica para outra hora.

Chamo a atenção agora para o fato de que os crimes cometidos por essa convocatória contra Maia, Alcolumbre e os governadores têm o claro propósito de atentar contra "o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito".

Cadê você, Sergio Moro?

E, como sabemos, o ministro, quando quer, acha aqueles a quem quer achar, não é mesmo? Hackear esta ou aquela autoridade é mais grave do que pregar abertamente um golpe, incitando as pessoas a sair às ruas para vilipendiar o Poder Legislativo e a democracia?

A propósito: Carla Zambelli, que esteve presente a todos os atos da extrema-direita contra a democracia em 2019 vai participar também deste, depois ter sido agraciada com uma "caveira honorária" pelo próprio Moro?

No discurso cafona da festa cafona, Moro afirmou não ter certeza de que teria coragem de sais às ruas contra um governo. E coragem de defender as regras do jogo?

Bem, não apostaria 10 centavos no valentão se quisesse preservar os 10 centavos...

Acho que, mais uma vez, ele vai se calar sobre o arroubo fascistoide.

Reinaldo Azevedo