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Empresário é condenado por lavar R$ 300 milhões para criminosos

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

13/07/2020 09h10

O empresário paulista Marcelo Rodrigo Pio foi condenado a 31 anos e 6 meses de prisão sob a acusação de ter lavado cerca de R$ 300 milhões para criminosos, entre traficantes, ladrões, contrabandistas, estelionatários e até mesmo traficantes de armas.

Segundo a investigação feita pelo Ministério Público, ele criou seis empresas de fachada que, embora não tivessem atividades comerciais, apresentavam intensa movimentação bancária. A Promotoria diz que ele simulava a importação de mercadorias para justificar o envio de recursos para o exterior.

Com a quebra do sigilo bancário dessas empresas, o Ministério Público constatou a existência de milhares de transferências feitas por criminosos condenados e suspeitos de crimes. As empresas receberam, por exemplo, segundo a acusação, R$ 153,4 mil de um traficante de armas e R$ 524 mil de um estelionatário.

"Marcelo Rodrigo Pio não é um qualquer, ele movimentou no período investigado mais de trezentos milhões de reais", disseram à Justiça os promotores Alexandre de Andrade Pereira e André Vitor de Freitas.

Rodrigo Pio, que é proprietário de uma academia de ginástica, alegou que sua atuação ficou limitada à área contábil das empresas, não tendo acesso às contas bancárias e suas movimentações. "Sua atuação como contabilista consistia em regularizar as empresas, sem que tivesse qualquer controle sobre as mesmas, quer nas movimentações bancárias, depósitos bancários, transferências de contas e operações de câmbios", afirmou o advogado Anderson Natal Pio. "Portanto, não tinha nenhum vínculo com a lavagem de dinheiro",

O juiz André Carlos de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Americana, não aceitou a argumentação do advogado, que é irmão do acusado. Em sua decisão, disse que não há dúvida sobre a sua participação no crime.

Cabe recurso à decisão.