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Rogério Gentile

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Reportagem

Hopi Hari terá de indenizar adolescente que levou mata-leão de ator

A Justiça paulista condenou o Hopi Hari a pagar uma indenização de R$ 10 mil a um adolescente que foi agredido por um dos atores do parque, localizado em Vinhedo, no interior paulista.

Em março de 2022, o jovem, então com 17 anos, estava com seu pai em uma atração chamada Katakumb, uma réplica do templo Ramsés 2º, faraó que governou o Egito de 1279 a 1213 a.C.

Nessa atração, os visitantes caminham em um percurso mal-iluminado e recebem sustos de atores vestidos de múmias. Os participantes são proibidos de acender lanternas no local, bem como realizar fotografias ou filmagens.

No processo aberto contra o Hopi Hari, o adolescente afirmou que foi agredido por um dos atores após sua lanterna se acender acidentalmente. Ele disse ter sido imobilizado por meio de uma "gravata" ou "mata-leão" (golpe no qual o braço do agressor envolve o pescoço da vítima), que sofreu empurrões e foi jogado contra uma parede.

"O funcionário demonstrou despreparo e falta de controle emocional", afirmou à Justiça o advogado Cid Rocha Júnior que representa o jovem.

O Hopi Hari se defendeu no processo afirmando que as regras da atração são bem claras, e que o adolescente as desrepeitou ao acender a lanterna de seu celular e realizar filmagens.

Disse que, em razão disso, o ator abordou o rapaz e o instou a desligar o equipamento, mas foi ignorado. O parque disse que, ao sofrer uma segunda abordagem, o jovem começou a se exaltar e o funcionário teve de contê-lo.

"Ele passou a empurrar o funcionário, que meramente estava tentando se defender das agressões", declarou o parque à Justiça.

Hopi Hari contesta acusação

O Hopi Hari nega que o funcionário tenha aplicado uma gravata e empurrado o adolescente, embora fotografias anexadas ao processo mostrem marcas da maquiagem do ator no pescoço do rapaz.

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Disse que o jovem foi imobilizado conforme os protocolos de segurança.

"Os atores são profissionais e passam por uma rigorosa seleção no momento da contratação, bem como por treinamentos de como lidar com o público, estando plenamente preparados para situações como a enfrentada, embora não existam registros de incidentes como este", declarou o parque à Justiça.

"Nunca houve, na história do Hopi Hari, reclamação de que os atores do Katabumb tenham praticado qualquer forma de agressão contra os visitantes."

A juíza Érica Sanada afirmou na sentença que, ainda que o adolescente tenha desdenhado da ordem para desligar a lanterna, o ator "deveria ter agido com a paciência necessária ao enfrentamento de todas as situações que envolvem jovens, e não da forma que fez"

"O parque, ao trabalhar com crianças e adolescentes, deve orientar seus colaboradores para que atuem de forma educativa", declarou na sentença. "A imobilização não pode ser admitida", declarou.

Os valores da condenação ainda serão acrescidos de juros e correção monetária.

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Em nota enviada à coluna, o Hopi Hari diz que vai recorrer da decisão. Leia aíntegra abaixo:

"Com relação à ação movida por um visitante do parque que alega ter sido agredido por um ator da atração Katakumb, o departamento jurídico do Hopi Hari informa que irá recorrer da sentença, proferida em 1ª Instância, uma vez que não houve agressão por parte do profissional que atuava na atração.

Reiteramos que o visitante que participava da dinâmica não cumpriu as regras e orientações que são apresentadas a todos aqueles que participam da ação, colocando assim em risco os demais visitantes.

Diante de tal comportamento, houve uma primeira abordagem verbal do funcionário do parque para que o visitante em questão fosse alertado sobre a necessidade de cumprir as regras. Como o visitante persistiu em infringir as normas, uma nova abordagem foi efetuada, sem nenhuma violência. Mesmo assim, o visitante se exaltou, fazendo com que o ator que trabalha na atração tentasse, sem sucesso, conter o jovem."

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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