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Braga Netto diz que ministros militares tentaram "acalmar" Moro

Walter de Souza Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos - Marcos Corrêa/Presidência da República
Walter de Souza Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

12/05/2020 20h12

O ministro Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) disse à Polícia Federal nesta terça-feira (12) que ele e outros ministros militares tentaram "acalmar" o ex-ministro Sérgio Moro quando ele narrou, um dia após a tensa reunião ministerial do dia 22 de abril passado, a disposição do presidente Jair Bolsonaro de trocar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. Na conversa, Moro "sinalizou" sua intenção de deixar o governo.

O ministro da Casa Civil disse que ouviu de Moro que ele não concordava com a troca do diretor-geral da PF e que tinha "uma biografia a manter". Em resposta, Braga Netto disse "vamos conversar", segundo ele "afirmando a necessidade de manter aberto o canal de comunicação entre todos". Contudo, Braga Netto disse também que depois não procurou Bolsonaro para demovê-lo da ideia da exoneração. O ministro disse ainda que Moro teve a conversa "em tom de desabafo apenas, em tom de reclamação".

Ao narrar a conversa, Braga Netto confirmou trecho do depoimento de Moro prestado também à PF no dia 2 de maio, sobre uma conversa que ele disse ter mantido com os ministros militares - além de Braga Netto, os generais Luiz Ramos e Augusto Heleno (GSI).

O ministro confirmou que Bolsonaro, em outra oportunidade, "demonstrava insatisfação com a qualidade das informações de inteligência, mas não com a pessoa do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo".

O ministro da Casa Civil também procurou minimizar as declarações que Bolsonaro fez na reunião ministerial do dia 22 de abril no Planalto. Na mesma linha da defesa apresentada pelo presidente em declarações à imprensa nesta terça-feira, Braga Netto disse que, quando o presidente falou em trocar "a segurança no Rio de Janeiro", entendeu que "se tratava da segurança pessoal do presidente, a cargo do Gabinete de Segurança Institucional", não trocar o comando da PF do Rio.

Em outro trecho do depoimento, o ministro foi indagado sobre quais eventuais investigações "incomodavam o presidente" no Rio de Janeiro. Braga Netto disse que Bolsonaro "se queixava" de "não ter sido esclarecido por completo os fatos relacionados ao porteiro do seu condomínio, nem muito por ele, mas por se tratar de fatos relacionados ao cargo de presidente".

Rubens Valente