PUBLICIDADE
Topo

Rubens Valente

Paulo Guedes sobre o Banco do Brasil: 'Tem que vender essa porra logo'

Reunião ministerial 22 de abril - Marcos Corrêa/PR
Reunião ministerial 22 de abril Imagem: Marcos Corrêa/PR
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

22/05/2020 18h53

O ministro da Economia, Paulo Guedes, provocou o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, na reunião ministerial do dia 22 de abril: "Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo", disse Guedes, segundo a transcrição feita pela Polícia Federal no INC (Instituto Nacional de Criminalística).

O tema do BB apareceu quase no final da reunião, quando o presidente Jair Bolsonaro indagou se "o Banco do Brasil não fala nada não?" Antes que o presidente do BB começasse a falar, Paulo Guedes interveio, dizendo que o banco "é um caso pronto de privatização". Bosonaro riu nesse momento.

"O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Porque ele não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: 'Bota o juro baixo', ele: 'não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam'. Aí se falar assim: 'Bota o juro alto', ele: 'Não posso, porque senão o governo me aperta'. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização", disse Guedes, segundo a transcrição.

O próprio ministro, contudo, em seguida observou que "é um caso pronto e a gente não está dando esse passo. Senhor, já notou que o BNDE [...] e a Caixa que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. [Já o] Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo".

Aparentemente brincando, Bolsonaro disse que Novaes será dispensado da própria reunião. Em seguida o presidente do BB falou positivamente da instituição, mencionando que a liquidez do banco está alta e que as pessoas vêem o BB como "um porto seguro".

Depois da breve exposição de Novaes, Paulo Guedes voltou a provocá-lo, dizendo que ele deveria "confessar seu sonho". Novaes se fez de desentendido mas mencionou a "privatização". Nesse momento foi interrompido por Jair Bolsonaro: "Faz assim: só em [20]23 cê confessa, agora não".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.