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Deputado alvo do STF já defendeu "guerra" no país com "exército do povo"

Deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) - Divulgação
Deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) Imagem: Divulgação
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

27/05/2020 13h29

Um dos alvos do inquérito aberto pelo STF para apurar ataques ao tribunal e fake news, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), um ex-policial militar do Rio de Janeiro, já defendeu uma "guerra" promovida pelo "povo". Em 19 de abril passado, no Dia do Exército, Silveira escreveu em uma rede social, ao lado da hashtag "fechadocomBolsonaro": "Esqueçam as forças armadas! É hora de um exército muito maior ir a guerra: o povo!".

A mensagem foi curtida por 16,9 mil pessoas e compartilhada 4,6 mil vezes. Em 21 de abril, o deputado escreveu que "se precisar de um cabo, estou à disposição", referência a uma afirmação feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro, em 2018, durante uma palestra para alunos de um cursinho, de que o STF poderia ser facilmente fechado por um golpe militar.

Silveira, que trabalhou na PM do Rio de 2012 a 2018, foi um dos políticos intimados nesta quarta-feira (27) a depor no inquérito do STF. Em outubro de 2018, ele participou da destruição de uma placa de rua que homenageava a vereadora Marielle Franco, assassinada em março daquele ano. Ele foi eleito no mesmo ano.

No final de dezembro passado, integrantes do próprio partido do deputado, o PSL, entraram com um pedido de cassação do mandato do deputado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara sob acusação de que ele gravou e divulgou uma reunião interna da sigla sem o consentimento de parlamentares. Silveira disse que, ao agir assim, defendia o presidente Jair Bolsonaro.

Em outubro de 2019, no interior da Câmara dos Deputados, Silveira deu um tapa na mão do jornalista Guga Noblat e jogou seu telefone celular no chão. Guga indagava Silveira sobre ele ter ido sem avisar ao colégio Pedro II, no Rio, para fazer uma "vistoria" sobre a grade curricular do colégio.

A convocação do deputado de abril passado para uma suposta "guerra" no país recebeu inúmeros apoios. Um perfil publicou que "chegou a hora de tirar a ferrugem dos revólveres guardados e irmos a luta", fazendo referência ao ex-deputado Roberto Jefferson, outro alvo do inquérito do STF.

Um internauta escreveu que os eleitores de Bolsonaro são "o maior exército do continente, 57 milhões", em alusão ao número de eleitores do candidato no segundo turno das eleições de 2018. O deputado Silveira disse que "pode colocar 80 milhões com certeza".

Em respostas ao deputado houve referências a "ucranizar" o Brasil. Um outro alvo do STF, a ex-militante feminista, agora convertida ao cristianismo e adversária do feminismo, que usa o nome de "Sara Winter" tem utilizado a mesma expressão e já alegou que "foi treinada na Ucrânia". Em outra postagem, Daniel Silveira foi na mesma linha: "Está na hora de Ucrânizar [sic] o Brasil! Quem sabe o que foi feito por lá, entenderá".

Em 2013, uma crise política estourou na Ucrânia a partir de protestos violentos que levaram à derrubada do governo. Mais de cem pessoas morreram nos choques entre manifestantes e policiais. Na sequência houve uma guerra civil pela separação da Crimeia que deixou mais de 1 mil mortos, segundo a ONU. A Ucrânia perdeu a península da Crimeia para a Rússia. Desde 2013 a Ucrânia vive uma persistente crise econômica e política.

Rubens Valente