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Rubens Valente

Invasores recuam de cerco à base de fiscais; Força Nacional enviou reforço

Frente da base usada pela fiscalização do Ibama e da Funai na terra indígena Apyterewa amanheceu esvaziada em 20.11.2020 - Reprodução
Frente da base usada pela fiscalização do Ibama e da Funai na terra indígena Apyterewa amanheceu esvaziada em 20.11.2020 Imagem: Reprodução
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

20/11/2020 20h56

O grupo de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, recuou do cerco à base utilizada por equipes de fiscalização do Ibama e da Funai e liberou as vias de acesso ao lugar. O recuo ocorreu horas antes da chegada de um grupo de 20 policiais da FN (Força Nacional), determinado como reforço à segurança das equipes.

A dúvida agora é saber se a fiscalização será retomada ou se o Ibama vai desistir da operação, que envolvia multar e dar um ultimato aos invasores para que deixem a terra indígena. Segundo o órgão, a equipe estava cumprindo uma ordem judicial cujo conteúdo não foi revelado.

Um grupo das famílias que ocupam ilegalmente a terra indígena havia cercado e ameaçava invadir a base nesta quinta-feira (19). Em reação à fiscalização que era feita desde o começo da semana dentro da Terra Indígena Apyterewa, eles queimaram uma ponte e ameaçaram a equipe. Acuados, os fiscais regressaram à base, onde houve o cerco.

Na tarde da quinta-feira, a pedido do MPF (Ministério Público Federal) no Pará, o juiz federal de Redenção (PA) Francisco Moura Junior ordenou a desobstrução do local, sob pena de uma multa de R$ 20 mil por hora. Por volta das 22h00 da própria quinta-feira, os manifestantes, que eram de 40 a 50, deixaram o local, e não regressaram ao longo da sexta-feira (20).

Os invasores há anos ocupam ilegalmente a Terra Indígena Apyterewa, fazendo com que os indígenas parakanãs fiquem encurralados num canto estimado em 20% do território. Os índios evitam caminhadas e caçadas na mata para não haver confronto com os invasores. Segundo os indígenas e indigenistas, há cerca de 1,5 mil pessoas ocupando ilegalmente a terra indígena.

Grupo de invasores cerca base de operações do Ibama e da Funai dentro da Terra Indígena Apyterewa, no Pará - Reprodução - Reprodução
No dia 19.11.2020, a base da fiscalização estava cercada por invasores da terra indígena
Imagem: Reprodução

A desocupação da TI Apyterewa era um dos condicionantes para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, obra inaugurada pela presidente Dilma Rousseff em 2016, mas nunca foi cumprida. O governo Michel Temer chegou a iniciar um processo de desocupação da área, mas o interrompeu. Desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, a invasão só aumentou, pois as famílias, apoiadas por políticos da região, fazem pressão para que a demarcação da terra indígena nos atuais limites seja anulada.

Os representantes dos invasores dizem que "são mais de 3 mil famílias de produtores rurais", de acordo com Igor Franco, advogado das famílias e procurador do município de São Félix do Xingu (PA).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.