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Rubens Valente

Ministério encerra vínculo com agência que fez lista de "detratores"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Cerimônia 100 milhões de Poupanças Digitais - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Cerimônia 100 milhões de Poupanças Digitais Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

04/12/2020 13h44

Resumo da notícia

  • Ministério diz que "mapa de influenciadores" custou R$ 36 mil dentro de um termo orçado em R$ 2,7 milhões que incluía outros "produtos de comunicação"
  • O vínculo do Ministério da Economia com a empresa de BR+ Comunicação já venceria de qualquer forma no último dia deste ano
  • O "mapa" dividiu jornalistas e formadores de opinião em "detratores", "neutros informativos" e "favoráveis" ao ministério e ao ministro Paulo Guedes

O Ministério da Economia anunciou à coluna nesta sexta-feira (4) que encerrou seu vínculo com a agência de comunicação BR+ Comunicação, antecipando em 27 dias o término da parceria que venceria no último dia do ano. A empresa produziu um "mapa de influenciadores" que separou 77 jornalistas e formadores de opinião em grupos de "detratores", "neutros informativos" e "favoráveis" a respeito do Ministério da Economia e do ministro Paulo Guedes.

O ME reconhece que havia pedido a confecção de um "mapa" sobre os influenciadores em junho passado, mas argumenta que não sabia os termos que seriam usados para identificar os grupos de pessoas. A agência disse em nota que os termos usados no "mapa", como "detratores" e "favoráveis", foram "um erro no processo" e pediu desculpas ao ministério e aos influenciadores.

Em resposta a um pedido de esclarecimentos da coluna, o ministério afirmou que o "mapa" foi realizado apenas uma vez e custou R$ 36 mil aos cofres públicos. O contrato, assinado originalmente com o MCTIC (Ciência e Tecnologia), foi estendido ao ME por meio de um termo de execução descentralizada assinado em junho passado no valor total de R$ 2,7 milhões e que incluía outros serviços de comunicação.

Do valor global de R$ 2,7 milhões no termo fechado com a empresa, o ministério disse que desembolsou até o momento R$ 1,3 milhão. Além dos R$ 36 mil gastos com o "mapa dos influenciadores", o ministério usou o termo para oito produtos, alguns com utilização mensal em seis meses, outros apenas uma vez, como teria sido o caso do "mapa". A pasta ficou de detalhar em breve quais são os outros serviços.

O termo de execução descentralizada já venceria de qualquer forma no próximo dia 31. Nesta semana o ministério concluiu o processo de escolha de uma agência de comunicação que atenderá a pasta - a BR+ Comunicação não concorria nessa disputa.

Detalhe do arquivo produzido pelo governo que separa jornalistas e formadores de opinião entre "detratores", "neutros informativos" e "favoráveis" - Reprodução/UOL - Reprodução/UOL
Detalhe do arquivo produzido por contratada do governo que separa jornalistas e formadores de opinião entre "detratores", "neutros informativos" e "favoráveis"
Imagem: Reprodução/UOL

Em nota na terça-feira (1), após a publicação da primeira reportagem do UOL sobre o assunto, a BR+ Comunicação afirmou que "a utilização do termo 'detratores' foi um erro de processo, já corrigido pela empresa". Ela disse que utiliza as expressões "Negativo", "Positivo" e "Neutro" e pediu desculpas "ao cliente" (ministérios) e aos influenciadores digitais "pelo mal entendido, que já foi sanado".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.