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Rubens Valente

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ministério admite à CPI queda geral de vacinação contra outras doenças

Campanha de vacinação na cidade de Santos (SP) - Fabrício Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo
Campanha de vacinação na cidade de Santos (SP) Imagem: Fabrício Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

15/07/2021 12h40

O Ministério da Saúde reconheceu à CPI da Covid, em documento protocolado nesta quinta-feira (15), "a existência de redução nas coberturas vacinais (CV)" de um grupo de 15 principais imunizantes para outras doenças que não a Covid-19. Segundo os dados apresentados pelo ministério, a queda foi acentuada nos dois primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro (2019-2020).

De acordo com nota informativa do ministério, nenhuma das vacinas atingiu as metas de cobertura nos últimos dois anos. As metas de cobertura são de 90% do público-alvo para as vacinas BCG e rotavírus e 95% para as demais vacinas.

A cobertura da BCG foi de 95% em 2016 e de 99,7% em 2018, mas caiu para 86,6% em 2019 e 73,50% em 2020. A vacina contra a poliomielite caiu de 84,4%, em 2016, para 75,8% em 2020. A tríplice viral D1 saiu de 95,%, em 2016, para 79,4% em 2020. A cobertura contra a meningococo C saiu de 91,6% em 2018 para 87,4% em 2919 e 78,2% em 2020.

"É notável que a maioria dos imunobiológicos apresentaram [sic] baixas coberturas vacinais para os anos descritos [2016-2020]. Apenas BCG atingiu meta nos anos de 2016, 2017 e 2018. E apenas BCG, rotavírus e pneumocócica apresentaram CV [cobertura vacinal] adequadas para 2018, comportamento que não se repetiu para os anos seguintes. Os demais imunobiológicos não apresentaram CV adequada para nenhum dos anos", diz a nota informativa do ministério.

Como motivos para a queda na cobertura vacinal, o ministério listou "indisponibilidade de trabalhadores de saúde por conta de sua implantação na resposta Covid-19; falta de equipamento de proteção individual (EPI) para realizar as atividades de imunização durante a pandemia; medo dos profissionais de saúde em contrair a Covid-19; impossibilidade de fazer a vacinação extramuros e redução da demanda por serviços de imunização devido à falta de vontade ou incapacidade dos pais de deixar suas casas por medo da Covid-19 e infecção de seus filhos".

A nota informativa foi produzida pela coordenação-geral do PNI (Programa Nacional de Imunizações) da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério em resposta a um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE), membro da CPI, que indagou o ministério a respeito de uma pesquisa realizada pelo IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde).

O levantamento, de acordo com a CPI, "apontou que a queda da cobertura vacinal foi exacerbada durante a pandemia, sendo que, em 2020, menos da metade dos municípios do país atingiu a meta de vacinação para as principais vacinas disponibilizadas pelo SUS". Segundo o estudo, com exceção da vacina pentavalente, "todas as outras tiveram redução de cobertura em 2020".

Em resposta a uma pergunta da CPI, o ministério disse que "as notícias falsas, ou fake news vem sendo usadas de toda forma para manipular, enganar, iludir, prejudicar. No caso da vacinação, é muito mais grave, porque a notícia falsa pode contribuir para que as pessoas desacreditem nas vacinas e assim deixem de se vacinar ou vacinar seus filhos".

O ministério disse ainda, na nota, que é "importante ressaltar que a queda do número de coberturas vacinais traz o risco de ocorrência de surtos de doenças previamente controladas ou eliminadas, como aconteceu com o sarampo".

O ministério admitiu que, no ano de 2019, ou seja, antes do início da pandemia do novo coronavírus, o Brasil perdeu a certificação de "país livre do sarampo" após "um ano de franca circulação do vírus", ou seja, como reflexo de problemas no ano de 2018, segundo a pasta. Em 2019, foram confirmados 20,9 mil casos da doença em 621 municípios. Em 2020, o número foi de 8,4 mil casos em 312 municípios.

O ministério afirmou ainda que o órgão desenvolve estratégicas para aumentar a cobertura vacinal no país, entre as quais "a comunicação, intensificação da vacinação nas campanhas de cunho nacional, informes técnicos dirigidos aos estados e municípios, aquisição de imunobiológicos diversos, cursos e aperfeiçoamento para os profissionais de saúde, disponibilização de dados no site do Ministério da Saúde, dentre outros".