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Tales Faria

Qualquer resultado é ruim para Bolsonaro no 2º Turno do Rio e em SP

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

26/11/2020 15h30

O que é melhor para Bolsonaro: que o Guilherme Boulos vença Bruno Covas em São Paulo ou vice-versa? E no Rio? É bom mesmo para o Bolsonaro que o Marcelo Crivella vença Eduardo Paes?

São perguntas difíceis de se responder. Mas vale a pena refletir sobre o assunto. Na minha opinião, tudo é ruim para o presidente da República no momento.

No caso de Bruno Covas, é mais que óbvio que a vitória do tucano favorece o governador de São Paulo, João Doria Júnior, que também é do PSDB e já está em plena campanha eleitoral visando tomar o lugar de Bolsonaro em 2022.

Aliados em 2018, hoje Doria e o presidente da República vivem às turras. Arrisco dizer que o governador de São Paulo tem sido o principal alvo de Bolsonaro nos últimos tempos.

Então, é ruim para Bolsonaro.

Mas e se Boulos, o candidato do Psol, vencer? Significará que a esquerda, massacrada em 2018, voltou à ribalta. Poderá ele próprio ser candidato em 22, o que é pouco provável, ou poderá se tornar um forte cabo eleitoral na cidade com maior eleitorado do país.

Ah, mas Bolsonaro pode querer que Boulos vença para manter a polarização com a esquerda da qual já se saiu vitorioso. Bem, Lula, o PT e a esquerda continuam razoavelmente fortes no Nordeste, onde o centrão sempre teve força, mas sempre priorizou as alianças locais.

Em 2018, Bolsonaro se deu muito bem no Sudeste. Não é bom negócio para o presidente que nasça um cabo eleitoral de esquerda, forte e com poder na cidade núcleo da região.

E no Rio de Janeiro? Bem, no Rio Bolsonaro se viu obrigado a apostar em Marcelo Crivella, do partido Republicanos, braço político da Igreja Universal.

Uma aposta ruim, porque Crivella vai mal nas pesquisas. E, mesmo que ganhe, será uma vitória de Pirro. Sairá fraco das urnas, grudando em Bolsonaro toda rejeição que os eleitores cariocas dispensam ao atual prefeito.

Ah, mas o favorito nas pesquisas, Eduardo Paes, uma vez eleito, não fará oposição ao presidente da República. Afinal, o Rio precisa muito da ajuda federal para enfrentar a barafunda fiscal em que se meteu.

É verdade. Mas isso até as vésperas da campanha eleitoral de 2022. Porque Paes é do DEM, o partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, outro que está em oposição aberta ao presidente - e envolvido até o pescoço nas articulações por uma frente de centro, com candidato próprio contra o governo em 2022.

Entendeu? Nem Covas, nem Boulos, nem Eduardo Paes e nem mesmo Crivella são boas opções de vitória para Bolsonaro.

O presidente da República já está derrotado nas eleições deste domingo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Qualquer que seja o resultado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL