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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro deflagrou o movimento dos servidores com o jogo do mente-mente

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

18/01/2022 09h35

Uma greve geral do funcionalismo público acabará desgastando os próprios servidores. Mas como na maioria dos problemas desse governo, quem deu início ao movimento dos servidores por reajuste salarial foi o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Foi ele quem começou a confusão, levantando a lebre do reajuste apenas para os servidores de sua base eleitoral, os funcionários da área de segurança pública, como policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penais.

Depois de sua fala é que o movimento dos servidores cresceu. A pauta das manifestações de hoje é por "reposição linear dos salários" para todas as categorias. Isso daria um gasto adicional de R$ 3 bilhões no Orçamento da União. Mais um furo no teto.

Curiosa é a postura do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na quinta-feira ele se reuniu com representantes dos auditores fiscais, que estão em operação desde dezembro. Negou a concessão de reajuste. Mas, antes, se mostrou disposto a atender o pedido do presidente em relação aos funcionários da área de segurança.

É assim com todos os ministros do Bolsonaro, Ele determina uma barbaridade qualquer e os sabujos aceitam, tentando iludir a opinião pública.

Essa encrenca com o funcionalismonão tem jeito, vai parar no Congresso. E estamos num ano eleitoral.

Não é impossível que venha aí algum reajuste. Pode ser até nessa nova mecânica adotada pelo presidente Bolsonaro: o Congresso concede, o presidente veta, mas aceita que os parlamentares derrubem o veto.

Ou seja: Bolsonaro fura o ajuste fiscal, fingindo que não foi ele, e posa para seu eleitorado como quem concedeu as benesses. É o jogo do mente-mente.