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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Weintraub mandou recado de que sabe das entranhas do bolsonarismo

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

18/01/2022 11h49

Não me pareceu gratuita a afirmação do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, em entrevista a uma rádio, de que o presidente Jair Bolsonaro soube, antes que os fatos viessem a público, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz eram alvo de investigação da Polícia Federal.

Como se sabe, o vazamento de investigação da Polícia Federal é crime, mesmo que tenha sido para um presidente da República. Maior ainda se a família do presidente estiver envolvida.

O Weintraub está batendo cabeça com o filho Zero Três do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O ex-ministro quer o apoio do bolsonarismo para sair candidato ao governo de São Paulo, mas Eduardo disse que seguirá a determinação do pai, que é fazer do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o candidato.

Aí aparece essa entrevista na rádio em que, sutilmente, Weintraub mostra saber das entranhas do governo. E num caso que deu dor de cabeça para o presidente.

Bem antes dessa declaração do Weintraub, o vazamento foi citado pelo Paulo Marinho. Trata-se do suplente do senador Flavio Bolsonaro, que atuou ativamente na campanha presidencial de Bolsonaro e depois rompeu com o governo.

Marinho apontou o vazamento em uma entrevista para Mônica Bergamo. Segundo ele, foi um delegado da Polícia Federal quem vazou para a família, ainda durante a campanha eleitoral, os detalhes sobre a investigação,

A declaração também foi interpretada como um recado do ex-aliado de que sabia das entranhas do bolsonarismo.

Teve também a fatídica reunião do dia 22 de abril de 2020 que resultou na demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro. Nela, o presidente reclamou de que não estava recebendo informações da Polícia Federal e, por isso, tinha que montar sua equipe particular de informações.

Moro foi demitido logo depois e o presidente, pelo jeito, anda melhor informado após indicar gente da sua confiança total para o comando da PF e para ministro da Justiça. Mas Bolsonaro nega que tenha havido o tal vazamento, ou que esteja ocorrendo hoje.

Bem, se Bolsonaro não for reeleito, tudo isso acabará sendo investigado no próximo governo. Desconfio de que este seja o grande temor do presidente.