PUBLICIDADE
Topo

Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ao renegar o AI-5 Bolsonaro trai os bolsonaristas e suas próprias ideias

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

16/05/2022 16h04

Agora o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), resolveu declarar que quem defende o Ato Institucional número 5 é digno de pena.

Ele que já promoveu diversas manifestações, antes e depois de assumir o comando do Palácio do Planalto, com faixas e cartazes em defesa da volta da ditadura, do AI-5, da invasão do Supremo Tribunal Federal.

Uma dessas manifestações, inclusive, foi em frente ao quartel general do Exército, em Brasília.

Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), chegou a ameaçar publicamente a oposição com a reedição do malfadado Ato Institucional que marcou a fase mais dura e sangrenta da ditadura militar.

Mas agora as pesquisas eleitorais encomendadas pelos aliados do governo mostram que o radicalismo autoritário dos bolsonaristas espanta os eleitores. E que, por conta disso, pararam de crescer as intenções de voto no presidente da República.

O que faz Bolsonaro? Larga os bolsonaristas e trai suas próprias ideias de defesa da ditadura. Revela que, na verdade, só tem um único propósito: se reeleger. Este é o projeto a ser alcançado e, para o qual, vale tudo. Vale trair suas próprias ideias, e suas alianças.

Há bolsonaristas, digamos raiz, alarmados e pulando do barco, como o ex-ministro Abraham Weintraub. Mas o curioso é que boa parte dos bolsonaristas aceitam a mudança de posição imediatamente e repetem em coro que também nunca defenderam o AI-5.

É deles que o presidente diz ter pena?