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Thaís Oyama


Maia se prepara para briga de longo prazo

Rodrigo Maia: hora de montar o palanque - ADRIANO MACHADO
Rodrigo Maia: hora de montar o palanque Imagem: ADRIANO MACHADO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

18/04/2020 17h37

A turma de Rodrigo Maia acusa o presidente Jair Bolsonaro de até hoje não ter "desmontado o palanque". Agora, o presidente da Câmara e aliados querem montar o seu.

Desde que Bolsonaro, em entrevista à CNN, deu o comando aos seus pitbulls para avançarem contra Maia, o deputado do DEM foi engolfado por um tsunami nunca visto de xingamentos nas redes sociais. No Congresso, o deputado viu o governo passar os últimos dias jogando milho para roubar-lhe aliados do Centrão. Na semana passada, Bolsonaro reuniu-se com a fina flor do fisiologismo parlamentar para acenar com cargos no segundo escalão do governo em troca de alinhamento com o Planalto e distanciamento do presidente da Câmara, cujo mandato termina em fevereiro. O ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD; Ciro Nogueira e Arthur Lira, do PP; e Jhonatan de Jesus, do Republicanos foram apenas algumas lideranças brindadas com o assédio presidencial.

Aliados de Maia já trabalham com a hipótese de dissidências em seu núcleo de apoio. Nesse cenário, consideram que o presidente da Câmara teria condições de aglutinar em torno de si, além de seu partido, também o PSDB e MDB, de forma a montar um grupo "mais identificado como um bloco de oposição". Em outras palavras, Maia se distanciaria da mal-afamada marca do "centrão" e passaria a liderar um grupo mais autorizado a "bater forte" no governo, aproveitando-se da apatia estratégica do PT, que vem preferindo aguardar o presidente sangrar.

Maia e aliados preveem que a batalha contra Bolsonaro se estenderá até 2022. É consenso no grupo que o impeachment de um presidente da República com 30% de apoio popular é inviável - lembrando que a petista Dilma Rousseff só caiu quando sua aprovação desceu para um dígito.

Haveria, portanto, dois anos de enfrentamento à vista. Ou melhor, um ano e meio, já que, como diz um deputado, "o resto é campanha".

Os palanques à vista mostram que o parlamentar erra no cálculo. Antes fosse só o resto.

Thaís Oyama