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Thaís Oyama


A consternação dos generais e a profecia de Heleno

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

24/04/2020 12h40

Consternação e perplexidade, esse é o clima entre os generais do Planalto neste momento.

Os militares consideraram "gravíssimas" as revelações do agora ex-ministro Sergio Moro sobre as tentativas presidenciais de interferir na Polícia Federal e obter informações a respeito de inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal.

Nas palavras de um assessor militar do presidente, o pronunciamento de Moro selou "o fim das ilusões, inclusive as nossas".

No ano passado, Bolsonaro havia decidido demitir Sergio Moro, pelos mesmos motivos que o fizeram se livrar agora do ex-juiz: o ministro era um empecilho para que ele pudesse controlar a Polícia Federal.

Na ocasião, o presidente foi demovido da ideia pelo general Augusto Heleno: "Se você demitir o Moro, o seu governo acaba".

Heleno se referia à inevitável perda do apoio do eleitorado que votou em Bolsonaro baseado na sua promessa de combate à corrupção. Mas se referia também ao risco de o ex-capitão ser abandonado pelos militares — da reserva e da ativa, em sua imensa maioria lavajatistas e defensores fervorosos de Moro.

O vaticínio do general se deu no ano passado.

Mas, tanto entre o eleitorado de Bolsonaro quanto entre os militares, as condições não mudaram.

Thaís Oyama