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Thaís Oyama


O motivo do impasse entre Moro e Bolsonaro

 O ministro Moro: se não puder menos indicar o sucessor, ele sai - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O ministro Moro: se não puder menos indicar o sucessor, ele sai Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

23/04/2020 19h46

O clima é de pessimismo no Palácio do Planalto.

Os generais tentam saídas para evitar a demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Uma delas passaria pelo afastamento de Maurício Valeixo "mais para frente", e sua substituição por um nome de consenso entre o presidente e o ministro.

Ocorre que Bolsonaro não apenas quer a saída do atual diretor da Polícia Federal como insiste em nomear para o seu lugar o delegado Alexandre Ramagem, atual diretor da Abin.

Já Sérgio Moro dá mostras de que poderia até aceitar a demissão de Valeixo, mas não engolirá um substituto que não seja indicado por ele.

"O impasse está sério", avaliava um assessor presidencial há pouco.

Em agosto do ano passado, Bolsonaro chegou a decidir pela demissão do ministro da Justiça. Recuou, convencido pelo general Augusto Heleno: "Se fizer isso, seu governo acaba", disse o militar ao presidente.

Heleno não se referia apenas à reação da opinião pública à perda do ministro mais popular do governo, mas também ao fato de os militares cerrarem fileiras em torno de Moro. O ministro une o alto e o baixo oficialato, que o vê como o baluarte da luta anticorrupção e, por extensão, do combate ao petismo.

Bolsonaro foi alertado pelos generais do Planalto sobre o dano que uma eventual saída de Moro do governo pode lhe causar.

Mas até o momento parece disposto a bancar o prejuízo.

Thaís Oyama