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Thaís Oyama


Decisão do STF evoca no Palácio a frase do 'cabo e do soldado'"

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

29/04/2020 14h05

A suspensão da nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, decidida em caráter liminar pelo ministro Alexandre de Moraes, elevou ao grau dez a tensão no Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro ficou furioso com o que considerou ser a prova cabal de que o Supremo Tribunal Federal age em conjunto com o Congresso para amarrar-lhe as mãos e fazer dele um "presidente decorativo". No gabinete presidencial, gente importante chegou a invocar a frase dita em 2018 pelo filho Zero Três do presidente, Eduardo Bolsonaro. "Basta um cabo e um soldado para fechar o STF". A afirmação de Eduardo foi uma resposta à pergunta de um estudante que o questionou se o Exército entraria em ação caso Bolsonaro, àquela altura já candidato favorito nas eleições, fosse impedido de assumir a Presidência por decisão do Supremo. À resposta, Eduardo acrescentou: "O que é o STF? Tira a poder da caneta da mão de um ministro do STF, [e veja] o que ele é na rua. Se você prender um ministro do STF, você acha que vai ter manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua?".

As hostes bolsonaristas já organizam nova manifestação em apoio ao presidente e contra as instituições. O Planalto avaliava a hipótese de um pronunciamento presidencial em cadeia nacional, no caso de o plenário da Corte confirmar a decisão do ministro Moraes.
Por enquanto, a única certeza é de que nuvens sombrias escurecem o céu em Brasília e o desfecho de mais essa crise que se avizinha dependerá de com quantos decibéis Bolsonaro irá responder ao freio que lhe impôs a Corte.

Thaís Oyama