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Thaís Oyama


A questão "assaz enigmática" do teste de coronavírus de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro: os laudos entregues à Justiça aludem aos testes de Sua Excelência? - Mateus Bonomi/AGIF
O presidente Jair Bolsonaro: os laudos entregues à Justiça aludem aos testes de Sua Excelência? Imagem: Mateus Bonomi/AGIF
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

20/05/2020 05h00

Os advogados do jornal O Estado de S. Paulo protocolaram junto à 1Vara Cível da Justiça Federal pedido de autorização para a realização de diligências que possam comprovar se os laudos dos exames de coronavírus apresentados pelo Planalto como sendo do presidente Jair Bolsonaro "de fato aludem aos testes de Sua Excelência".

Os laudos foram entregues pela Advocacia Geral da União ao Supremo Tribunal Federal na semana passada, depois de uma batalha judicial de quase dois meses entre o jornal e o presidente, que se recusava a apresentar os resultados de seus exames para a Covid 19.

A petição, protocolada ontem e assinada por Afranio Affonso Ferreira Neto e outros três advogados, diz que os laudos apresentados ao STF, "ao invés de apaziguarem incertezas sobre a saúde do Presidente, fizeram surgir indagações".

O advogado Afranio Ferreira Neto observa que:

- o terceiro laudo, assinado por uma médica do laboratório Fiocruz, "não traz data de nascimento, não aponta números de CPF ou de RG, nem indica qualquer outro dado que minimamente permita a identificação inequívoca do indivíduo examinado. Há referência unicamente a um aleatório e assaz enigmático 'Paciente 05'."

- à falta dessas informações, diz a petição, é "razoável conjecturar, por exemplo, que naquela mesma data tenham sido enviadas à Fiocruz, em lote, amostras de material também de outros integrantes do governo, identificados como "Paciente 00", "Paciente 01", "Paciente 02"...". Completam os advogados: "Sendo assim, como assegurar que o Presidente da República seria o quinto da sequência, e não o terceiro, o segundo ou, pela obviedade de raciocínio e hierarquia do cargo, o primeiro?"

A petição considera ainda "extremamente intrigante" o fato de o terceiro exame, embora concluído em 19 de março, só ter sido protocolado na Presidência no dia 6 de maio, "coincidentemente a mesma data em que o desembargador André Nabarrete manteve a ordem imposta à União de apresentação do resultado dos exames".

Diante dessas ponderações, os advogados de o O Estado de S. Paulo solicitam, entre outras providências, autorização para ouvirem em juízo a médica Marilda Mendonça Siqueira, que assina o laudo da Fiocruz, e o general de divisão Rui Yutaka Matsuda, comandante logístico do Hospital das Forças Armadas, responsável pela coleta dos exames do presidente.

Em suma, o que os advogados do Estadão querem saber é: o "paciente 05" é mesmo Jair Bolsonaro?

É uma questão assaz intrigante.

Thaís Oyama