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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

PT convoca marqueteiros para conquistar o eleitor "bolsolula"

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

06/12/2021 11h27Atualizada em 06/12/2021 18h15

O PT começa hoje a selecionar as produtoras que farão os programas de campanha do ex-presidente Lula nas rádios e na TV.

Na convocação que enviou na semana retrasada às potenciais interessadas, a direção do partido pediu que incluíssem em suas propostas o que seria a "linha geral da campanha, ideias-força, marcas, visual, linguagem e formato", entre outras generalidades.

Um parágrafo da mensagem, no entanto, revela um particular interesse do partido na concepção das peças que ele quer veicular na campanha de 2022.

No texto da convocação, o PT pede que as produtoras, "se possível", voltem suas atenções para o "segmento do eleitorado que votou em Lula, mas em 2018 votou em Bolsonaro e agora está retornando para Lula".

Trata-se do chamado eleitor "bolsolula".

Em junho, pesquisa do Ipec deu uma ideia de quantos são esses eleitores. Segundo o levantamento, 25% dos brasileiros que optaram por Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018 (contra o então candidato petista Fernando Haddad) dizem que "com certeza" votariam em Lula para o Palácio do Planalto em 2022.

Em agosto, a pedido da revista Veja, o Ipec detalhou o perfil do bolsonarista arrependido que passou a correr na direção do petista.

De acordo com o instituto, a maior parte dos brasileiros que votou em Bolsonaro e agora pretende apoiar Lula é do sexo masculino (53%); cursou até o ensino médio (36%); mora na região Sudeste (44%); é católico (50%); e tem renda de até um salário mínimo (41%).

No passado, esse eleitor votou em Bolsonaro por três motivos principais e sobejamente apontados por especialistas: 1) o sentimento da anti-política, nutrido em grande parte pelos escândalos de corrupção envolvendo o PT; 2) a ruinosa gestão da economia no governo da petista Dilma Rousseff; e 3) o desejo de uma "mão firme" na área da segurança pública, oportunamente "respondido" pelo ex-capitão com o discurso do endurecimento do combate ao crime e a mímica da "arminha".

Hoje, porém, questões como a antipolítica, a corrupção e mesmo a segurança pública são perfumaria comparadas ao problema bem mais imediato do estômago vazio.

Tanto a inflação de dois dígitos quanto o desemprego perto dos 13% atingem em cheio o perfil do eleitor "bolsolula" descrito pelo Ipec.

O que o PT indica querer de seus futuros marqueteiros, portanto, é que falem com esse eleitor, que quer antes de tudo recuperar o emprego e o poder de compra — e para quem o embate "esquerda e direita" não enche barriga.