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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Moro vive inferno astral perto da peneira que dirá quem fica ou sai do jogo

O presidenciável Sergio Moro: o inferno é aqui - Alexandre Meneghini/Reuters
O presidenciável Sergio Moro: o inferno é aqui Imagem: Alexandre Meneghini/Reuters

Colunista do UOL

10/03/2022 11h19

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Levantamento do Instituto Paraná divulgado ontem trouxe mais uma má notícia para o ex-juiz Sergio Moro, ainda candidato a candidato à Presidência da República pelo Podemos.

Moro, segundo o instituto, perdeu quase 3 pontos percentuais de intenção de votos em um mês. Caiu de 10,6%, em fevereiro, para 7,8% — e isso considerando os cenários em que ele aparece melhor colocado.

À parte os méritos e deméritos do ex-juiz da Lava Jato, são vários e conhecidos os motivos pelos quais sua candidatura não deslanchou até agora e não promete deslanchar no futuro.

Moro filiou-se a um partido pequeno, sem estrutura e sem dinheiro; fracassou nas tentativas de fechar alianças com siglas maiores; e, afora as circunstâncias para além do seu controle, não demonstrou grande traquejo no figurino de candidato.

Na reportagem de Ana Clara Costa que a revista Piauí publica na edição deste mês sobre o presidenciável — adequadamente chamado de "o antifenômeno"— a descrição da sua tentativa de interação com eleitores durante o passeio por uma praça no interior do Ceará dirime qualquer dúvida sobre o alcance da vocação política do ex-juiz.

À sua má situação nas pesquisas, junta-se a má sorte de ter se aliado a um movimento no qual dois deputados de alta visibilidade decidiram arrastar a própria reputação para o pântano, com os inevitáveis respingos na imagem do MBL e do ex-juiz da Lava Jato.

Sergio Moro vive seu inferno astral.

E, para a sua desgraça, isso ocorre às vésperas da abertura da temporada que decidirá quais candidatos da chamada terceira via permanecerão na pista e quais serão ejetados dela.

Postas as disposições de candidaturas de Moro, Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB), resta apenas saber se o governador do Rio Grande do Sul, o hoje tucano Eduardo Leite, irá aceitar substituir Rodrigo Pacheco no posto de candidato à presidência pelo PSD. Se Leite decidir entrar na disputa (e terá de fazê-lo até o dia 2 de abril, quando vence o prazo de desincompatibilização de cargos), estará colocada a última pedra no tabuleiro da corrida presidencial de 2022.

A partir daí, começa a temporada de negociações entre os partidos. E, como entre as siglas hoje sem perspectiva de vitória na corrida presidencial, a prioridade é fazer bancadas no Congresso, no altar das alianças nenhum dos nomes postos tem a garantia de que não será sacrificado.