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Pai do presidente da OAB não tem elo com bomba em Recife, diz Aeronáutica

Arte UOL/CEPE/Divulgação
Imagem: Arte UOL/CEPE/Divulgação

Anita Grando Martins

Colaboração para o UOL, de Florianópolis

17/10/2019 04h02

Em postagens em redes sociais, Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, foi acusado como o responsável por um atentado a bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, em 1966.

A explosão ocorreu no dia 25 de julho daquele ano, deixando dois mortos e 14 feridos, mas sem atingir o alvo, que era o então ministro do Exército, general Arthur da Costa e Silva. A disseminação da acusação contra Fernando ocorreu após declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre ele.

As publicações levam para um vídeo no qual o narrador chama Fernando Santa Cruz de "terrorista" e diz que Felipe Santa Cruz "é uma das maiores ameaças terroristas comunistas no Brasil". Nele, também aparece uma fala de Bolsonaro sobre o atentado em Recife e o possível envolvimento de Fernando Santa Cruz nesse caso e na luta armada contra a ditadura militar no Brasil.

FALSO: Santa Cruz não tem elo com bomba, diz Aeronáutica

Ao contrário do afirmado em postagens e vídeos, o pai do presidente da OAB não foi quem explodiu a bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, em 1966.

Felipe Santa Cruz, Presidente da OAB - Fernando Moraes/UOL
Felipe Santa Cruz, Presidente da OAB
Imagem: Fernando Moraes/UOL
De acordo com um documento do Ministério da Aeronáutica de março de 1970, o autor do atentado foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo, identificado como militante "da ALA VERMELHA do PCdoB" e da Ação Popular (AP), na qual era um dos três integrantes do "Comando Regional da Região 7 (CR7), que abrangia os estados de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará".

"Já está perfeitamente caracterizado que tratou-se de uma ação isolada praticada por Raimundo, à revelia do Comando Nacional da AP. Por este motivo, inclusive, Raimundo foi expulso do Partido ainda em 1966", lê-se no documento.

Não há registros oficiais de qualquer participação de Fernando Santa Cruz na luta armada. De acordo com o relatório final da Comissão da Verdade, ele iniciou a militância política no movimento estudantil secundarista, em Pernambuco, entre 1966 e 1968. Em seguida, a convite da irmã, mudou-se para o Rio de Janeiro com Ana Lúcia Valença, com quem se casaria e teria seu único filho.

Poucos anos depois, diante da necessidade de aumentar a renda da família recém-constituída, fez uma nova mudança, para São Paulo. Foi onde assumiu um cargo de funcionário público no Departamento de Águas e Energia Elétrica e desapareceu, aos 26 anos.

Bolsonaro diz que não foram militares que mataram pai de presidente da OAB

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Santa Cruz chegou a ser militante da AP e da Ação Popular Marxista Leninista. "Ao contrário de outros desaparecidos, Fernando tinha emprego e endereço fixos e, portanto, não estava clandestino ou foragido."

A OAB informou que não se pronuncia sobre notícias falsas. Diante das afirmações de Bolsonaro sobre Fernando Santa Cruz, a entidade divulgou nota de repúdio.

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