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É falsa mensagem que afirma que eleições foram vendidas para a esquerda

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Douglas Maia

Colaboração para o UOL, em Curitiba

20/11/2020 04h00Atualizada em 23/11/2020 09h21

Um texto tem circulado por grupos de WhatsApp afirmando que a eleição para prefeito da cidade de São Paulo deste ano teria sido vendida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por US$ 23 milhões. O texto narra uma suposta reunião entre o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE; o governador de São Paulo, João Doria (PSDB); o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e um homem indicado como presidente da empresa de tecnologia norte-americana Diebold, que seria fabricante das urnas eletrônicas. A mensagem é falsa.

Segundo o texto fantasioso, a negociação teria acontecido para que o candidato Guilherme Boulos (PSOL) fosse eleito. O candidato Celso Russomano (Republicanos) seria o único a se negar a participar do esquema e, por isso, teria sido tirado do segundo turno e declarado que "se as pessoas soubessem o que aconteceu na eleição, ficariam enojadas".

A mensagem ainda tenta dar um verniz de realidade à história afirmando que os jornais The Wall Street Journal e Gazzeta dello Sport já estariam investigando o caso e publicariam sobre isso em breve.

A mensagem é, na verdade, uma repetição de outra informação falsa. O texto original começou a circular em uma corrente espalhada por e-mail após a eliminação da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo da França, em 1998. Desde então, o texto tem sido reciclado a cada vez que o Brasil perde uma Copa. E agora foi adaptada também para levantar suspeitas sobre as eleições municipais.

Está tudo lá nas versões anteriores da "notícia": a declaração de que "as pessoas ficariam enojadas", o mesmo valor da propina e até o nome do presidente fictício da Diebold, Ronald Rhovald —na versão futebolística, ele seria representante da patrocinadora Nike.

Depois de ter de tornado uma das primeiras fake news a se espalhar no Brasil pela internet nos anos 90, o texto foi compartilhado, em muitos casos, como piada. Mas tem sido usado também para espalhar teorias conspiratórias sobre política e o processo eleitoral.

Em 2014, a mensagem afirmava que o PT teria comprado as eleições presidenciais. Este ano, a notícia também já circulou em uma versão que afirma que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro vendeu inquéritos da Polícia Federal para João Doria.

Com mais de 22 anos de circulação e tendo sido reutilizada para espalhar desinformação —ou só para tirar sarro— sobre esporte e política, a mensagem que revela o "escândalo que todo mundo suspeitava" já pode entrar para o hall da fama da internet brasileira como uma das informações falsas mais antigas e versáteis da rede.

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.

Errata: o texto foi atualizado
O nome do ministro do STF Luís Roberto Barroso foi erroneamente grafado como José Roberto Barroso. O texto foi corrigido.

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