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Veja quem acertou e quem errou no debate entre Boulos e Covas na Band

Carolina Marins e Guilherme Botacini

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

20/11/2020 01h28Atualizada em 20/11/2020 08h55

Ocorreu na noite desta quinta-feira (19) o segundo debate entre os candidatos do segundo turno à Prefeitura de São Paulo, promovido pela Band e retransmitido pelo UOL.

Além das críticas feitas pelos dois adversários, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) responderam perguntas sobre pandemia, orçamento, creches e segurança pública.

Confira o que os candidatos disseram de verdadeiro, falso ou impreciso:

Ainda há mais de 23 mil mães esperando vagas para seus filhos nas creches.
Guilherme Boulos (PSOL)

Ainda temos, de acordo com os últimos dados, 6.600 crianças aguardando vaga em creche na cidade.
Bruno Covas (PSDB)

Verdadeiro para Covas e Boulos, mas...

Atualmente a fila para creches na cidade de São Paulo é de 6.670 crianças menores de quatro anos, segundo dados de setembro da prefeitura. Porém, a pandemia diminuiu a procura por creches, já que elas estão fechadas. Em junho, a fila era próxima do que diz o candidato do PSOL: 22.732.

Só hoje, em caixa, mesmo durante a pandemia, existem R$ 19 bilhões, pouco mais de R$ 10 bilhões livres, recursos orçamentários que não estão atrelados a fundos.
Guilherme Boulos (PSOL)

Estimativas do próprio Tribunal de Contas do Município dizem que, destes R$ 10 [bilhões] a R$ 11 bilhões, apenas R$ 2 [bilhões] a R$ 3 [bilhões] estão comprometidos com o custeio, Bruno. R$ 8 bilhões estão livres para investimento. Quem está dizendo não sou eu, é o Tribunal de Contas.
Guilherme Boulos (PSOL)

Verdadeiro

O demonstrativo com fluxo de caixa da prefeitura em setembro, disponível no site da Secretaria da Fazenda de São Paulo, registra que há R$ 19,7 bilhões em caixa.

Há uma estabilidade em relação ao número de casos de coronavírus na cidade, há uma estabilidade em relação ao número de óbitos.
Bruno Covas (PSDB)

Falso

Segundo os cálculos de média móvel de casos e mortes na cidade de São Paulo feitos pelo UOL com base no critério estabelecido pelo consórcio de veículos de imprensa, São Paulo não está em estabilidade, mas em alta de casos e mortes.

Desde 12 de novembro, a cidade está em aceleração de casos e, desde 14 de novembro, em aceleração de mortes.

O cálculo de média móvel é feito com base na média dos últimos sete dias, comparado com a média de sete dias de duas semanas anteriores. Segundo especialistas, essa é a melhor forma de avaliar o crescimento da pandemia em uma região. As altas podem ser observadas nos gráficos abaixo:

Os inquéritos e censos têm trazido dados preocupantes como por exemplo: 25% das crianças moram com pessoas com mais de 60 anos de idade --o grupo com maior vulnerabilidade. 40% da população é assintomática, mas esse número é de 60% nas crianças.
Bruno Covas (PSDB)

Verdade

Segundo o inquérito sorológico feito com crianças e adolescentes da cidade de São Paulo, 25,9% dos alunos da rede pública ficaram em quarentena com idosos. E 64,4% dos escolares que testaram positivo para o novo coronavírus eram assintomáticos.

Manteve hospital fechado durante a pandemia do coronavírus. O Hospital Sorocabana da Lapa. Quem é da Lapa sabe o que eu estou falando: um andar aberto, sete fechados. Hospital da Brasilândia, que começou no governo anterior ao seu e do Doria. Vocês não conseguiram entregar o hospital. Só tem 12% dos leitos abertos para o coronavírus.
Guilherme Boulos (PSOL)

Impreciso

O Hospital Municipal Sorocabana, na Lapa, tinha uma Assistência Médica Ambulatorial (AMA) em funcionamento desde 2012, e outras unidades para procedimentos de baixa complexidade desde 2016 nos dois primeiros andares.

Os cinco andares superiores continuam fechados, e a Prefeitura abriu 33 novos leitos para tratamento de covid-19 apenas nos dois andares já usados e para casos de baixa complexidade. O Comitê de Defesa do Hospital Sorocabana criticou a gestão por não utilizar por completo o hospital, em detrimento da construção dos hospitais de campanha.

O Hospital Municipal da Brasilândia, que Boulos afirmou que não foi entregue, abriu parcialmente em maio. A prefeitura inaugurou 20 leitos de UTI e 16 de enfermaria exclusivos para tratamento da covid-19. Pronto, o hospital deve ter 305 leitos disponíveis e os 36 entregues de fato representam 12% do total.

Você não recebeu a prefeitura com um rombo. O [Fernando] Haddad deixou R$ 5,5 bilhões e R$ 4 bilhões livres para você e para o Doria, você era vice dele.
Guilherme Boulos (PSOL)

Verdadeiro, mas...

Os valores são aproximados. De acordo com as contas do município, a gestão de Fernando Haddad (PT), anterior à de Doria, deixou a Prefeitura de São Paulo com um caixa de R$ 5,34 bilhões, dos quais, R$ 2,19 bilhões eram de despesas a serem quitadas em curto prazo.

Isso significa que o governo tucano assumiu a cidade com R$ 3,15 bilhões de suficiência financeira. Na verdade, o rombo de R$ 7 bilhões já foi citado por Doria em 2017, ainda prefeito, mas quando se referia à receita prevista pela gestão Haddad, e não ao caixa.

O Ricardo Nunes, talvez muita gente não o conheça. Ele tem investigações no Ministério Público, suspeitas de gente do grupo dele recebendo aluguéis superfaturados para creches conveniadas.
Guilherme Boulos (PSOL)

O vice na chapa de Covas, Ricardo Nunes (MDB), é ligado a entidades gestoras de escolas infantis que fizeram repasses de dinheiro público a empresas investigadas por serem de fachada. A Polícia Civil apura se essas empresas são usadas para emissão de notas frias e superfaturadas.

Após a mesma acusação em relação a seu vice em debate anterior, Covas defendeu Nunes dizendo que Nunes não responde a processo judicial, o que também é verdadeiro, porque ele ainda está sendo investigado.

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o demonstrativo com fluxo de caixa da prefeitura de São Paulo em setembro registra que há R$ 19,7 bilhões em caixa, e não R$ 19,7 milhões. Em outro trechos, foi dito que a gestão de Fernando Haddad (PT) deixou um saldo final de R$ 3,15, quando o correto é R$ 3,15 bilhões. O texto foi corrigido

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