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Covid-19 não mata apenas idosos e doentes crônicos

Médicos ressaltam que a doença também pode causar sintomas persistentes  - iStock
Médicos ressaltam que a doença também pode causar sintomas persistentes Imagem: iStock

Ana Caratchuk

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/02/2021 04h00

Não é verdade que a covid-19 mate apenas pessoas idosas ou com doenças crônicas pré-existentes, como alguns jovens dizem —e, por isso, não respeitam as medidas de isolamento social e de uso de máscaras, por exemplo.

Apesar de a taxa de mortalidade nesses grupos ser mais elevada, pessoas mais novas e aparentemente saudáveis também podem ter um desfecho ruim ocasionado pela covid-19 —que vai desde a presença de sequelas prolongadas ocasionadas pela doença até o óbito.

"Não temos um marcador perfeito para saber se quem pegar covid vai morrer ou não. A gente não entendeu ainda como isso acontece e como isso se explica na doença", diz Evaldo Stanislau, médico infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia.

Em todo o Brasil, entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro deste ano, foram notificados 12.203 óbitos por síndrome aguda respiratória grave e que posteriormente foram confirmados como mortes por covid-19. Há óbitos em todas as faixas etárias, inclusive entre os menores de um ano —foram 24 mortes nesta faixa.

Os dados constam do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre a situação da covid-19 no país, divulgado em 13 de fevereiro.

  • Entre os jovens de 20 a 29 anos, foram 126 mortes.
  • Na faixa dos 30 aos 39 anos e dos 40 aos 49 anos foram, respectivamente, 390 e 747 mortes.
  • A faixa etária com maior número absoluto de óbitos é a dos 80 aos 89 anos, que somou 2.704 mortes.

Considerando apenas o estado de São Paulo, onde foram registrados ao todo mais de 56 mil óbitos pela covid-19 até o dia 16 de fevereiro, a maior parte das mortes corresponde à faixa etária dos 70 a 79 anos (26,1%), seguida pela de 60 a 69 anos (23,7%). Não é pequena, no entanto, a parcela dos considerados mais jovens e que morreram pela covid-19.

Dos óbitos registrados em todo o estado:

  • 12,7% correspondem à faixa etária de 50 a 59 anos,
  • 6,2% de 40 a 49 anos e
  • 2,8% de 30 a 39 anos.

Mesmo entre os considerados bastante jovens, cuja idade vai dos 20 aos 29 anos, foram registradas cerca de 453 mortes (0,8%). Os dados são disponibilizados pela Fundação Seade e foram atualizados às 16h do dia 16 de fevereiro.

Condição geral de saúde

Stanislau diz que, ao mesmo tempo em que é possível afirmar que existe uma mortalidade maior em pessoas de mais idade e com comorbidade, não dá para dizer que quem não se encaixa em nenhum desses grupos, se for infectado pela covid-19, "não vai ter nada".
Ele destaca, ainda, que é preciso olhar para além da idade das pessoas e considerar a condição de saúde de cada um.

Embora a gente fale que as pessoas de mais idade são mais afetadas, temos que considerar um nível de saúde geral e avaliar como está o controle das doenças crônicas.
Evaldo Stanislau, médico infectologista

"Se for um idoso saudável, com doenças crônicas bem controladas, ele pode ter uma morbidade muito semelhante à da população geral. E o oposto: um jovem aparentemente saudável pode ter um desfecho pior, embora isso não seja o mais frequente", pontua o especialista.

No Brasil, ainda de acordo com os dados do Ministério da Saúde, a cardiopatia e o diabetes são as doenças mais associadas às mortes por covid-19. De 31 de janeiro a 6 de fevereiro deste ano, mais de 4 mil pessoas com mais de 60 anos e que sofriam de cardiopatia morreram pela doença. Outras 727 pessoas menores de 60 anos e que sofriam de cardiopatia também vieram a óbito pela covid-19.

A pasta não informa, no entanto, a quantidade de óbitos não relacionados a qualquer tipo de doença pré-existente.

Sequelas

A covid-19 não tem a morte como único desfecho possível. Recentemente, médicos têm notado a persistência de sintomas por um período que pode se estender por seis meses ou mais entre aqueles que superaram a fase crítica da doença. O fenômeno, que ainda está sendo estudado, vem sendo tratado como "covid longa", "covid prolongada" ou "covid persistente".

Os sintomas persistentes podem variar desde cansaço e falta de energia até alterações psiquiátricas, como depressão e ansiedade. Também estão entre as possíveis sequelas a taquicardia e sudorese sem causa aparente, além de alterações de concentração ou raciocínio.

"Muitas vezes o jovem pensa muito na morte, mas não pensa nesses impactos", diz Stanislau. "E esse é o nosso dia a dia de consultório: ver esse sofrimento pós-covid."

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